quarta-feira, 21 de maio de 2014

A POLÊMICA DE DOM CASMURRO

"Dom Casmurro" - Análise da obra de Machado de Assis

23/08/2012 01h 42
Publicado pela primeira vez em 1899, "Dom Casmurro" é uma das grandes obras de Machado de Assis e confirma o olhar certeiro e crítico que o autor estendia sobre toda a sociedade brasileira. Também a temática do ciúme, abordada com brilhantismo nesse livro, provoca polêmicas em torno do caráter de uma das principais personagens femininas da literatura brasileira: Capitu.

- Leia o resumo de "Dom Casmurro"

Muitas leituras possíveis
Há uma discussão em torno da obra que alimenta os espíritos mais inflamados: Capitu traiu ou não seu marido Bento Santiago, o Bentinho? 

O romance, entretanto, presta-se a muitas leituras, e é interessante ver como a recepção ao livro se modificou com o passar do tempo. Quando foi lançado, era visto como o relato inquestionável de uma situação de adultério, do ponto de vista do marido traído. Depois dos anos 1960, quando questões relativas aos direitos da mulher assumiram importância maior em todo o mundo, surgiram interpretações que indicavam outra possibilidade: a de que a narrativa pudesse ser expressão de um ciúme doentio, que cega o narrador e o faz conceber uma situação imaginária de traição. 

Machado de Assis, autor sutil e de penetração aguda em questões sociais, arma o problema e testa seu leitor. É impressionante como isso vale ainda hoje, mais de um século depois do lançamento do livro. O romance é a história de um homem de posses que ama uma moça pobre e esperta e se casa com ela. Em sua velhice, ele escreve um romance de memórias para compreender melhor a vida. 

Capitu, até a metade do livro, é quem dá as cartas na relação. É inteligente, tem iniciativa, procura articular maneiras de livrá-lo do seminário etc. Trata-se de uma garota humilde, mas avançada e independente, muito diferente da mulher vista como modelo pela sociedade patriarcal do século XIX. Nesse sentido, Capitu representa no livro duas categorias sociais marginalizadas no Brasil oitocentista: os pobres e as mulheres. A personagem acabará por "perturbar" a família abastada, ao casar-se com o homem rico. 

Percebe-se, por isso, o peso do possível adultério em suas costas. Não se trata apenas de uma questão conjugal entre iguais, mas de uma condenação de classe. Bentinho utiliza o arbítrio da palavra para culpar sua esposa. Mas é ele quem narra os acontecimentos e, por isso, pode manipular os fatos da maneira que melhor lhe convém. Não se sabe até que ponto os fatos relatados correspondem ao que ocorreu, ou são uma interpretação feita pelo personagem, que, além de tudo, escreve que não tem boa memória. 

Nesse sentido, a questão central do livro não é o adultério, e sim como Machado introduz na literatura brasileira o problema das classes e, ainda, de forma inovadora, a questão da mulher. Dom Casmurro coloca no centro de sua temática a menina que não se deixa comandar e, em virtude disso, perturba a ordem vigente naquele ambiente social estreito e conservador. 

Paródia
Uma das formas mais clássicas que assume o humor e a ironia de Machado de Assis é a paródia. Uma paródia seria uma imitação cômica de um outro texto literário (pode ser também de uma música, filme, estilo, filosofia, etc.) já consagrado pela tradição. Em "Dom Casmurro", temos três grandes paródias:

1) "Ilíada" de Homero: no capítulo 125, "Uma comparação", Bentinho é obrigado a fazer um discurso em honra do suposto amante de sua mulher. Em Ilíada, o rei de Tróia, Príamo, teve que beijar a mão de Aquiles, assassino de seu filho Heitor.

2) "Otelo", Shakespeare: a vida de Bentinho é sempre narrada com o mesmo tom trágico de uma ópera. Sua maior aproximação é com a peça Otelo, devido ao tema do ciúme e traição presente nas duas obras.

3) O mito de Abraão e Isaac: no Velho Testamento, Deus pede que Abraão sacrifique seu filho Isaac em seu nome. Porém, na hora em que Abraão ia imolar seu próprio filho, o Anjo do Senhor aparece impedindo e um carneiro é oferecido em lugar de Isaac. Em "Dom Casmurro", a mãe de Bentinho promete seu filho a Deus (ele seria padre) antes mesmo de o conceber. Porém, Bentinho se apaixona por Capitu e eles lutam para ficarem juntos. O amor de Capitu consegue anular a promessa feita pela mãe dele e assim os dois podem se casar.

Narrador 
O narrador é Bento Santiago, transformado já no velho Dom Casmurro. O foco narrativo é, portanto, em primeira pessoa e toda a narrativa é uma lembrança do personagem sobre sua vida, desde os tempos de criança, quando ainda era chamado de Bentinho. Porém, trata-se de um narrador problemático: primeiro porque o narrador é um homem emotivamente arrasado e instável; segundo porque ele narra fatos que não conhece bem, podendo ser tudo fruto de sua imaginação.

Tempo 
O tempo da narrativa é psicológico, e não cronológico. Esse recurso é chamado impressionismo, porque o narrador se detém nas experiências que marcaram sua subjetividade. Seria usada pelo escritor francês Marcel Proust em sua obra Em Busca do Tempo Perdido. A falibilidade da memória surge como fator de complexidade, uma vez que uma lembrança só pode ser acessada de um momento presente. 

Os acontecimentos, então, passam pelo filtro da subjetividade presente. É por isso que a descrição que o narrador faz de Capitu, como uma pessoa volúvel e sensual, deve ser posta em dúvida pelo leitor. O sentimento de ciúme exacerbado de Bento pode ter desvirtuado a figura da personagem.

Comentário do professor
A profa. Aparecida Augusta Barbosa, do Cursinho do XI, lembra que "Dom Casmurro" é uma obra publicada na segunda metade do século XIX, período de desenvolvimento do cientificismo, que procura resultados exatos para explicar o mundo. Assim, há uma proposta artística de desnudar o real e desvendar os contrastes do íntimo, tentando explicá-los com os métodos científicos. Além disso, dentro de um contexto histórico trata-se de um período repleto de mudanças sócio-políticas e intelectuais, tais como a abolição da escravatura (1888), a Proclamação da República (1889), a entrada de imigrantes no país, e a modernização do Brasil com a dinamização da vida social e cultural, principalmente no Rio de Janeiro, sede do governo na época. Assim, afirma a prof. Augusta, era um momento propício para as artes absorverem as novas ideias vindas da Europa, tais como o liberalismo, o socialismo e as teorias cientificistas.

Dentro desse contexto histórico-cultural é que precisa-se pensar a obra de Machado de Assis. "Dom Casmurro" é uma obra narrada em primeira pessoa por um homem já velho e solitário, que está tentando "atar das duas pontas da vida" (infância e velhice). O tom do romance, que é construído em flashback, é de uma pessoa desiludida e amargurada, e sua visão dos fatos narradas é totalmente subjetiva e unilateral. Por conta disso, o livro adquire diversas leituras possíveis e permanece-se com a dúvida sobre o adultério de Capitu, afirma a profa. Augusta.

Além disso, a linguagem utilizada por Machado de Assis é marcadamente acadêmica e bem cuidada, sendo clássica e regida pelas normas de correção gramatical estabelecidas. Entretanto, há o registro em alguns pontos de aspectos típicos da língua utilizada pela personagem e registros mais informais e informais da língua portuguesa. Assim, a linguagem usada pelas personagens e o nível social dos protagonistas pode ser uma questão abordada pelos vestibulares, finaliza a profa. Augusta.
fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/dom-casmurro-analise-obra-machado-assis-698986.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_guiadoestudante

quinta-feira, 3 de abril de 2014

SÓ PARA FRUIR..

LITERATURA AFRICANA

Foto

EM DIA COM O VESTIBULAR



Inovação nos vestibulares




As mudanças nos gêneros das redações e nas leituras obrigatórias de alguns dos principais vestibulares do país têm inovado. Já não podemos afirmar que a Educação continua uma mesmice. O candidato deve estar, mais do que nunca, atento a essas mudanças para não correr o risco de ficar alheio ao que foi exigido no momento da prova. Um exemplo é a UFRGS que inclui até a leitura de uma obra sonora.
Fiquem atentos pessoal!


31/03/2014 11h35 - Atualizado em 31/03/2014 11h38

PELA 1ª VEZ UFRGS INCLUI DISCO ENTRE LEITURAS OBRIGATÓRIAS PARA VESTIBULAR

 

Álbum ‘Tropicália ou Panis et Circenses’ é marco de movimento musical.
Lídia Jorge, Tabajara Ruas e Sergio Faraco também foram selecionados


Álbum Tropicália ou Panis et Circenses está entre leituras obrigatórias do vestibular da UFRGS (Foto: Reprodução)

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (31) divulgou nesta segunda-feira (31) a lista das leituras obrigatórias para o Vestibular 2015. Pela primeira vez, os candidatos terão de fazer a “leitura de uma obra sonora”, o álbum Tropicália ou Panis et Circenses, marco do movimento musical que alçou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes e outros então jovens compositores à condição de vanguarda da música popular brasileira.
Os demais autores selecionados foram a escritora portuguesa Lídia Jorge, com a obra “A noite das mulheres cantoras”; e os autores gaúchos Tabajara Ruas, com o livro “O amor de Pedro por João”, e Sergio Faraco, com o livro de contos “Dançar tango em Porto Alegre”. É a primeira vez que esses títulos entram na lista.
As obras “Terras do Sem Fim”, de Jorge Amado, “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, “As Parceiras”, de Lya Luft, “O Guardador de Rebanhos”, de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa), “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida, e “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, também foram escolhidas. Ainda serão obrigatórias as leituras de uma seleta de Gregório de Matos Guerra e de 12 contos de Murilo Rubião.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/03/pela-1-vez-ufrgs-inclui-disco-entre-leituras-obrigatorias-para-vestibular.html


AS NOVIDADES NA LEITURA DO VESTIBULAR DA UFRGS
A Noite das Mulheres Cantoras
Gênero: romance

Sinopse - A Noite das Mulheres Cantoras - Lídia Jorge

Há uma pergunta que percorre este romance de Lídia Jorge, da primeira à última página: quantas vítimas se deixam pelo caminho para se perseguir um objetivo? A ação do romance decorre no final dos anos 80 do século XX e invoca um tema de inesperada audácia - o da força da idolatria e a construção do êxito -, visto a partir do interior de um grupo 21 anos mais tarde, na forma de um monólogo. Como é habitual na obra da autora, a questão social é relevante - a força do todo e a aniquilação do indivíduo perante o coletivo são temas presentes neste livro. Mas aqui, tratando-se de um grupo fechado e dominado pela música, a parábola social submerge perante a descrição de um ambiente de grande envolvimento humano e de densidade poética. Servido por uma narrativa ao mesmo tempo rude e mágica, A Noite das Mulheres Cantoras propõe a quem o lê a história de seis figuras que passam a viver para sempre no nosso imaginário. A história de amor comovente que une as duas personagens principais, Solange de Matos e João de Lucena, é, por certo, um daqueles episódios que iluminam a realidade, e torna a grande literatura sobre a vida de hoje indispensável, com os ingredientes próprios da cultura dos nossos dias. 

A Noite das Mulheres Cantoras - Lídia Jorge
fonte:http://www.skoob.com.br/livro/261533-a_noite_das_mulheres_cantoras




O Amor de Pedro por João
Gênero: romance

Nos anos de chumbo, exílio é palavra corrente. Muitos são os que vivem o drama de deixar o Brasil, perseguidos pelos agentes da ditadura. Gente incomum nos ideais, mas simples nas emoções. Gente como os personagens de O AMOR DE PEDRO POR JOÃO, de Tabajara Ruas, que ganha nova edição pela Record. O livro mostra o outro lado da militância política: a solidão, tão contundente quanto a ponta dos fuzis; a esperança, única arma capaz de resistir à poderosa máquina repressora; e o carinho, ungüento para as feridas da luta.
Como tantos brasileiros, os protagonistas de O AMOR DE PEDRO POR JOÃOprocuram abrigo, inicialmente, no Chile socialista de Allende. Afugentados pela revolução de Pinochet, são obrigados a partir para um novo exílio na Europa. Não há no romance dimensões heróicas — no meio dos conflitos, os personagens, apesar da truculência da perseguição, encontram tempo para venturas e desventuras românticas. Dramas e fugas para o exílio, para a insanidade ou para a morte dividem espaços com momentos de esperança, risos e solidariedade.
O AMOR DE PEDRO POR JOÃO é o segundo romance de Tabajara Ruas. Escrito em Copenhague, durante o exílio imposto ao autor pela ditadura militar, utiliza a linguagem cinematográfica em toda a sua agilidade e fragmentação. O primeiro, A região submersa, foi publicado em Portugal e na Dinamarca, no final dos anos 1970. Seguiram-se Os varões assinalados (1985), Perseguição e cerco a Juvêncio Gutierrez (1990), Netto perde sua alma (1995), O fascínio e o ensaio A cabeça de Gumercindo Saraiva, com Elmar Bones (1997, ambos editados pela Record). Quase toda sua obra já foi publicada no exterior.Netto perde sua alma e O fascínio estão sendo adaptados para o cinema.
Tabajara Ruas, gaúcho de Uruguaiana, é escritor, tradutor e roteirista de quadrinhos, televisão e cinema. Participou, entre outros filmes, de Kilas, o mau da fita, Anahy de la Misiones e O dia em que Dorival encarou a guarda. Publicou, em diversos jornais, o folhetim A segunda existência de Terry Lennox. Estudou Arquitetura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na Kongeligkunstdami, em Copenhague.
Entre 1971 e 1981, foi exilado e morou em diversos países: Chile, Argentina, Dinamarca e Portugal. Colaborador de jornais e revistas do Brasil e autor de mais de uma dezena de especiais para a TV, recebeu prêmios nos Festivais de Locarno, Biarritz e Lisboa. Atualmente trabalha como publicitário, tendo conquistado diversos prêmios nacionais.
Internet:
www.zh.com.br/especial/especial7/pagina1.htm 



Livros Dancar Tango Em Porto Alegre [Pocket] - Faraco, Sergio (8525409391)
Gênero: contos

Sinopse - Dançar Tango em Porto Alegre - E Outros Contos Escolhidos - Sérgio Faraco

Considerado um dos maiores contista gaúchos da atualidade, Sérgio Faraco é autor de contos que “chegam a doer na sensibilidade do leitor”, como aponta Almeida Fischer. Os problemas, as angústias e as frustrações do ser humano são temas recorrentes nestes contos escolhidos.

Obra com texto integral.

Dançar Tango em Porto Alegre - E Outros Contos Escolhidos - Sérgio Faraco

fonte: http://www.skoob.com.br/livro/25679-dancar_tango_em_porto_alegre
Dançar tango em Porto Alegre, que toma o título de um dos contos eróticos mais bem realizados da literatura brasileira, divide-se em três partes. A primeira reúne textos de cunho regional, de natureza telúrica, em que a presença da campanha gaúcha se evidencia pelo caráter fronteiriço das histórias contadas. Há, nesses contos de recorte realista, a revelação de uma sintaxe cultural que articula, a seu modo, os componentes brasileiros e platinos, deixando claro que a literatura dá forma a uma visão de mundo intrínsecamente formada pelo contexto histórico e social. E também pelo antropológico, eis que as personagens de Sérgio Faraco agem segundo uma lógica também fronteiriça, produto de uma cultura brasileira extremamente diferenciada, urdida nos séculos de convívio com a cultura platina. E entram aí os mitos, os arquétipos, os modelos de comportamento que se formam na vida social. E que se transculturam, para usar uma expressão do crítico uruguaio Ángel Rama, ao referir-se ao processo de transformação por que passam as literaturas quando emigram de um sistema cultural para outro.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014


No dia dedicado ao leitor, nada mais justo que nos parabenizarmos e nos sentirmos felizes em fazer parte de um grupo de pessoas que têm com o livro uma intimidade prazerosa, uma cumplicidade sem reticências...
Hoje descobri mais uma vantagem na leitura: o leitor é uma pessoa confiável. Isso mesmo! De manhã fui à rodoviária, avistei um senhor sentado em um lugar mais afastado, debaixo de uma árvore com um livro nas mãos. Tive vontade de me aproximar, mas dizer o quê? Foi, então, que lhe perguntei sobre onde poderia estacionar meu carro com segurança, já que eu não conhecia o local. Ele foi solícito e gentil, sinal de que leitores são, em geral, confiáveis e simpáticos. Logo na entrada do terminal, encontrei uma sala de espera com uma banca de livros (adorei!). Comecei a observar as pessoas e consegui identificar mais três leitores sentados nos bancos e um descendo do ônibus com um livro nas mãos.
Cheguei à conclusão de que, por mais que as pesquisas indiquem que os brasileiros não leem, tem uma comunidade de leitores em crescente expansão em nosso país. Graças a Deus!
Então, nesse dia do leitor, desejo a todos os leitores, de todos os cantos (debaixo das árvores, nos bancos de ônibus, nas salas de espera) que estejam sempre em boa companhia.
                                                                                                 Neuceli Maria



Informações, dicas e sugestões de especialistas em leitura

Importância da Leitura

Ler é um hábito poderoso que nos faz conhecer mundos e ideias. Descubra a importância da leitura para todas as idades!


Como fazer um jovem adulto gostar de ler?

Siga as dicas de especialistas e faça seu filho continuar cultivando o hábito de ler

28/03/2013 16:22
Texto Maria Slemenson e Marion Frank
Educar
Foto: Marcella Briotto
Foto: Quanto mais adultos, mais desculpas criamos para ler menos. Fuja dessa armadilha!
Quanto mais adultos, mais desculpas criamos para ler menos. Fuja dessa armadilha!
Um universo fascinante se esconde entre as páginas de um livro. Ganhar o gosto da leitura, incorporando às atividades de todos os dias, é ter, em mãos, a possibilidade de viajar, de se deixar levar pela narrativa, conhecendo gente, situações e terras em tudo diferentes - ou com eles se identificar, tantas são as semelhanças. Os ganhos da leitura são evidentes e, partir de 18 anos, quem se candidata a irá ajudá-lo a se manter próximo do mundo literário. "E, de acordo com a intensidade do contato, é grande a possibilidade desse jovem adulto se sentir interessado de ler temas e autores diferentes, até para descobrir com quais mais se identifica", comenta Theodora Maria Mendes de Almeida, diretora do colégio Hugo Sarmento, em São Paulo.
1808Especial Importância da Leitura 
Ler é um hábito poderoso que nos faz conhecer mundos e ideias. Descubra a importância da leitura para todas as idades!

Há um senão, porém: quanto mais se avança na idade, mais o tempo se mostra curto para fazer tudo o que se tem vontade. Ler é bacana, tudo bem, mas como conciliar a agenda diária com a disponibilidade de ler o que faz bem ao coração - e não apenas à carreira? Leitores adultos muitas vezes concentram a leitura nas obras que são extensão do trabalho - os chamados livros técnicos. Em outros casos, acontece o contrário, e o interesse é totalmente dirigido para os livros de ficção. Qual seria a recomendação da especialista? "É importante dividir o tempo de cada leitura, evitando o contato só com o livro didático ou só com o romance, até porque há outras coisas na vida, certo?", lembra Theodora. "O essencial é encontrar o equilíbrio".

Saiba agora o que você deve fazer para intensificar o vínculo com a leitura no seu cotidiano:

1. Peça dicas
Caso tenha dificuldade de encontrar um livro de interesse, peça indicação a um amigo de gosto parecido ou mesmo a quem trabalhe com livros, caso dos atendentes das livrarias. Porque há sempre um bom livro para indicar - e ler.

2. Conversar a respeito
Conversar com amigos, familiares e colegas sobre as últimas leituras é um modo de se manter atualizado sobre as novidades do mercado, alargando o conhecimento literário do que acontece dentro e fora do País.

3.Seja crítico
A leitura deve estar presente no dia a dia da casa e ser um assunto discutido em momentos de reunião (refeições, por exemplo). A resenha de um lançamento literário pode ser o pretexto para uma animada troca de ideias com os familiares.

4.Conheça as editoras
A leitura deve estar presente no dia a dia da casa e ser um assunto discutido em momentos de reunião (refeições, por exemplo). A resenha de um lançamento literário pode ser o pretexto para uma animada troca de ideias com os familiares.

5.Leia junto
Proponha, em casa, fazer leituras compartilhadas: escolha um livro de interesse de todos para ser lido em voz alta e depois debatido. É o ritual perfeito da família que encontra prazer nos livros.

6.Viaje com os livros
Procure sempre conhecer a obra de autores estrangeiros - é um modo de aumentar o seu conhecimento sobre o mundo.

fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/como-fazer-jovem-adulto-gostar-ler-737377.shtml


LITERATURA

O que ler?

Gêneros diversos estimulam o gosto pelo ato de ler, permitindo uma gama variada de sensações: alimentar desejos e sonhos e nos colocar em contato com o que jamais viveremos, entre tantas outras

03/12/2013 13:14
Texto Marion Frank
Educar
Foto: Aline Casassa
Foto: Prazeres da leitura: virar as páginas e se transportar para um mundo novo de encantamento
Prazeres da leitura: virar as páginas e se transportar para um mundo novo de encantamento


Passar os olhos por volumes de uma prateleira, escolher um deles e acomodar-se confortavelmente, numa poltrona ou no chão, em casa ou em uma biblioteca. Esquecer do tempo, deixar-se mergulhar na obra. Virar as páginas e se transportar para um mundo completamente novo e repleto de descobertas e aprendizagens, entretenimento e encantamento. "Os diferentes tipos de texto podem alimentar nossos desejos e sonhos do que ainda parece impossível; podem nos colocar em contato com experiências que jamais viveremos; podem oferecer a possibilidade de encontro com pessoas que vieram antes de nós e com as que vivem no nosso tempo", explica Cláudio Bazzoni, doutor em Literatura Espanhola pela Universidade de São Paulo (USP) e assessor da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
Pouco importa o gênero da leitura, mas a cumplicidade entre o leitor e a obra, baseada no prazer que a leitura é capaz de proporcionar. Mas, para que a leitura seja, de fato, prazerosa, há uma condição importantíssima: o desejo do leitor. Como diz o escritor francês Daniel Pennac, "o verbo ler não suporta o imperativo". Para garantir a satisfação ao ler, ele recomenda o que chama de "direitos do leitor": escolher o que quer ler, o de reler, o de ler em qualquer lugar, ou, até mesmo, o de não ler.
Poemas, novelas, romances, contos, entre outros, baseiam-se na realidade, mas o que escrevem e as personagens que criam existem apenas nos textos. "Eles criam um mundo imaginário. Expressam sua maneira particular de ver o mundo e de transformá-lo", diz Bazzoni.
Para ajudá-lo na tarefa de escolher o que mais lhe agrada, selecionamos um cardápio variado, com opções em todos os gêneros. Boa leitura!


Livros para uma vida

Dezoito educadores selecionaram 204 obras essenciais para serem lidas do Ensino Infantil ao Ensino Médio

Confira no site do Educar para Crescer

http://educarparacrescer.abril.com.br/livros/?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar



domingo, 10 de novembro de 2013

Tempo de ser feliz
  
Tenho pressa de ser feliz.
Que horas?
Tem que ser agora!

                                                                            (Neuceli Maria)


sábado, 9 de novembro de 2013

Haicai

Um haicai ao dia e uma vida menos vazia...
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O que são os haikais (ou haicais)?
Haikai (俳句, Haiku ou Haicai?) é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco japoneses (totalizando sempre cinco sílabas), e sete caracteres na segunda linha (sete sílabas). Em português é escrito Haicai, no Brasil, e Haiku, em Portugal.
Em japonês, haiku são tradicionalmente impressos em uma única linha vertical, enquanto haiku em L`ngua portuguesa geralmente aparecem em três linhas, em paralelo . Muitas vezes, há uma pintura a acompanhar o haicai (ela é chamada de haiga). "Haijin" é o nome que se dá aos escritores desse tipo de poema, e principal haijin (ou haicaísta), dentre os muitos que destacaram-se nessa arte, foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer do haikai uma prática espiritual.
O formato tem suas raízes na renga, importante manifestação literária da cultura japonesa que remonta ao século XIII. Os versos eram escritos por vários autores, que respondiam a uma forma de "desafio elegante" entre si ao escrever.
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Haicais de Guilherme de Ameida

Haicais
Guilherme de Almeida

Consolo
A noite chorou
a bolha em que, sobre a folha,
o sol despertou.


Os andaimes
Na gaiola cheia
(pedreiros e carpinteiros)
o dia gorjeia.


Pescaria
Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha.


Romance
E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.


O haicai
Lava, escorre, agita
a areia. E enfim, na bateia,
fica uma pepita.


Guilherme de Almeida (Guilherme de Andrade de Almeida), advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor, nasceu em Campinas, SP, em 24 de julho de 1890, e faleceu em São Paulo, SP, em 11 de julho de 1969. Eleito para a Cadeira nº. 15 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Amadeu Amaral, em 6 de março de 1930, foi recebido, em 21 de junho de 1930, pelo acadêmico Olegário Mariano.

Em 1932 participou da Revolução Constitucionalista de São Paulo.

Distinguiu-se também como heraldista. É autor dos brasões-de-armas das seguintes cidades: São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Volta Redonda (RJ), Londrina (PR), Brasília (DF), Guaxupé (MG), Caconde, Iacanga e Embu (SP). Compôs também um hino a Brasília, quando a cidade foi inaugurada. Em concurso organizado pelo Correio da Manhã foi eleito, em 16 de setembro de 1959, “Príncipe dos Poetas Brasileiros”.

Era membro da Academia Paulista de Letras; do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; do Seminário de Estudos Galegos, de Santiago de Compostela; e do Instituto de Coimbra
. 
Um dos promotores da Semana de Arte Moderna, em 1922, foi fundador da Klaxon, a principal revista dos modernistas.

Traduziu, entre outros, os poetas Paul Géraldy, Rabindranath Tagore, Charles Baudelaire, Paul Verlaine e, ainda, Huis clos (Entre quatro paredes) de Jean Paul Sartre.
Principais obras: Nós, poesia (1917); A dança das horas, poesia (1919); Messidor, poesia (1919); Livro de horas de Soror Dolorosa, poesia (1920); Era uma vez..., poesia (1922); A flauta que eu perdi, poesia (1924); Meu, poesia (1925); Raça, poesia (1925); Encantamento, poesia (1925); Do sentimento nacionalista na poesia brasileira, ensaio (1926); Ritmo, elemento de expressão, ensaio (1926); Simplicidade, poesia (1929); Você, poesia (1931); Poemas escolhidos (1931); Acaso, poesia (1938); Poesia vária (1947); Toda a poesia (1953).

Em 1931, tornou-se co-proprietário dos jornais paulistas Folha da Noite e Folha da Manhã. Manteve a coluna "Sombra Amiga" até o jornal mudar de dono, em 1945; nesse período criou também o Folha Informações (atual Banco de Dados de São Paulo).

Os haicais acima, foram extraídos do "Suplemento Cultural" do jornal "Ordem do Dia", editado pela Câmara Municipal de Campinas (SP), datado de junho de 2004, pág. 2.
Fonte:
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Leia haikais! Faz bem.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A poesia de Manoel de Barros

Histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo

Manoel por Manoel
Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.
(Digitado e conferido por mim mesmo em 12 de outubro de 2012 no livro Memórias inventadas – As Infâncias de Manoel de Barros, São Paulo: Planeta do Brasil, 2010. p. 187)



Biografia:
Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916, filho de João Venceslau Barros, capataz com influência naquela região. Mudou-se para Corumbá (MS), onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente mora em Campo Grande (MS). É advogado, fazendeiro e poeta.
Tinha um ano de idade quando o pai decidiu fundar fazenda com a família no Pantanal: construir rancho, cercar terras, amansar gado selvagem. Nequinho, como era chamado carinhosamente pelos familiares,  cresceu brincando no terreiro em frente à casa, pé no chão, entre os currais e as coisas "desimportantes" que marcariam sua obra para sempre. "Ali o que eu tinha era ver os movimentos, a atrapalhação das formigas, caramujos, lagartixas. Era o apogeu do chão e do pequeno."
Com oito anos foi para o colégio interno em Campo Grande, e depois no Rio de Janeiro. Não gostava de estudar até descobrir os livros do padre Antônio Vieira: "A frase para ele era mais importante que a verdade, mais importante que a sua própria fé. O que importava era a estética, o alcance plástico. Foi quando percebi que o poeta não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança." Um bom exemplo disso está num verso de Manoel que afirma que "a quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso." E quem pode garantir que não é? "Descobri que servia era pra aquilo: Ter orgasmo com as palavras." Dez anos de internato lhe ensinaram a disciplina e os clássicos a rebeldia da escrita.
Mas o sentido total de liberdade veio com "Une Saison en Enfer" de Arthur Rimbaud (1854-1871), logo que deixou o colégio. Foi quando soube que o poeta podia misturar todos os sentidos. Conheceu pessoas engajadas na política, leu Marx e entrou para a Juventude Comunista. Seu primeiro livro, aos 18 anos, não foi publicado, mas salvou-o da prisão. Havia pichado "Viva o comunismo" numa estátua, e a polícia foi buscá-lo na pensão onde morava. A dona da pensão pediu para não levar o menino, que havia até escrito um livro. O policial pediu para ver, e viu o título: "Nossa Senhora de Minha Escuridão". Deixou o menino e levou a brochura, único exemplar que o poeta perdeu para ganhar a liberdade.
Quando seu líder Luiz Carlos Prestes foi solto, depois de dez anos de prisão,Manoel esperava que ele tomasse uma atitude contra o que os jornais comunistas chamavam de "o governo assassino de Getúlio Vargas." Foi, ansioso, ouvi-lo no Largo do Machado, no Rio. E nunca mais se esqueceu: "Quando escutei o discurso apoiando Getúlio — o mesmo Getúlio que havia entregue sua mulher, Olga Benário, aos nazistas — não agüentei. Sentei na calçada e chorei. Saí andando sem rumo, desconsolado. Rompi definitivamente com o Partido e fui para o Pantanal".

Mas a idéia de lá se fixar e se tornar fazendeiro ainda não havia se consolidado no poeta. Seu pai quis lhe arranjar um cartório, mas ele preferiu passar uns tempos na Bolívia e no Peru, "tomando pinga de milho". De lá foi direto para Nova York, onde morou um ano. Fez curso sobre cinema e sobre pintura no Museu de Arte Moderna. Pintores como Picasso, Chagall, Miró, Van Gogh, Braque reforçavam seu sentido de liberdade. Entendeu então que a arte moderna veio resgatar a diferença, permitindo que "uma árvore não seja mais apenas um retrato fiel da natureza: pode ser fustigada por vendavais ou exuberante como um sorriso de noiva" e percebeu que "os delírios são reais em Guernica, de Picasso". Sua poesia já se alimentava de imagens, de quadros e de filmes. Chaplin o encanta por sua despreocupação com a linearidade. ParaManoel, os poetas da imagem são Federico Fellini, Akira Kurosawa, Luis Buñuel ("no qual as evidências não interessam") e, entre os mais novos, o americano Jim Jarmusch. Até hoje se confessa um "...'vedor' de cinema. Mas numa tela grande, sala escura e gente quieta do meu lado".
Voltando ao Brasil, o advogado Manoel de Barros conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e se casaram em três meses. No começo do namoro a família dela — mineira — se preocupou com aquele rapaz cabeludo que vivia com um casaco enorme trazido de Nova York e que sempre se esquecia de trazer dinheiro no bolso. Mas, naquela época, Stella já entendia a falta de senso prático do noivo poeta. Por isso, até hoje Manoel a chama de "guia de cego". Stella o desmente: "Ele sempre administrou muito bem o que recebeu." E continuam apaixonados, morando em Campo Grande (MS). Têm três filhos, Pedro, João e Marta (que fez a ilustração da capa da 2a. edição do "Livro das pré-coisas") e sete netos.
Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos, mas sua revelação poética ocorreu aos 13 anos de idade quando ainda estudava no Colégio São José dos Irmãos Maristas, no Rio de Janeiro, cidade onde residiu até terminar seu curso de Direito, em 1949. Como já foi dito, mais tarde tornou-se fazendeiro e assumiu de vez o Pantanal.
Seu primeiro livro  foi publicado no Rio de Janeiro, há mais de sessenta anos, e se chamou "Poemas concebidos sem pecado". Foi feito artesanalmente por 20 amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele.
Nos anos 80, Millôr Fernandes começou a mostrar ao público, em suas colunas nas revistas Veja e Isto é e no Jornal do Brasil, a poesia de Manoel de Barros. Outros fizeram o mesmo: Fausto Wolff, Antônio Houaiss, entre eles. Os intelectuais iniciaram, através de tanta recomendação, o conhecimento dos poemas que a Editora Civilização Brasileira publicou, em quase a sua totalidade, sob o título de "Gramática expositiva do chão".
Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco". Foi também comparado a São Francisco de Assis pelo filólogo Antonio Houaiss, "na humildade diante das coisas. (...) Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor." Segundo o escritor João Antônio, a poesia deManoel vai além: "Tem a força de um estampido em surdina. Carrega a alegria do choro." Millôr Fernandes afirmou que a obra do poeta é "'única, inaugural, apogeu do chão." E Geraldo Carneiro afirma: "Viva Manoel violer d'amores violador da última flor do Laço inculta e bela. Desde Guimarães Rosa a nossa língua não se submete a tamanha instabilidade semântica". Manoel, o tímidoNequinho, se diz encabulado com os elogios que "agradam seu coração".
O poeta foi agraciado com o “Prêmio Orlando Dantas” em 1960, conferido pela Academia Brasileira de Letras ao livro “Compêndio para uso dos pássaros”. Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra “Gramática expositiva do chão” e, em 1997, o "Livro sobre nada” recebeu o  Prêmio Nestlé, de âmbito nacional. Em 1998, recebeu o Prêmio Cecília Meireles (literatura/poesia), concedido  pelo Ministério da Cultura.
Numa entrevista concedida a José Castello, do jornal "O Estado de São Paulo", em agosto de 1996, ao ser perguntado sobre qual sua rotina de poeta, respondeu:
"Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'. Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro séculos para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler "Vozes da Origem". Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."
Diz que o anonimato foi "por minha culpa mesmo. Sou muito orgulhoso, nunca procurei ninguém, nem freqüentei rodas, nem mandei um bilhete. Uma vez pedi emprego a Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Educação e ele anotou o meu nome. Estou esperando até hoje", conta. Costuma passar dois meses por ano no Rio de Janeiro, ocasião em que vai ao cinema, revê amigos, lê e escreve livros.
Não perdeu o orgulho, mas a timidez parece cada vez mais diluída. Ri de si mesmo e das glórias que não teve. "Aliás, não tenho mais nada, dei tudo para os filhos. Não sei guiar carro, vivo de mesada, sou um dependente", fala. Os rios começam a dormir pela orla, vaga-lumes driblam a treva.  Meu olho ganhou dejetos, vou nascendo do meu vazio, só narro meus nascimentos."
O diretor Pedro Cezar filma "Só dez por cento é mentira", um documentário sobre a vida do poeta que deverá ser exibido em abril de 2007. O título do filme refere-se a uma frase de Manoel de Barros: "Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".
Fonte:http://www.releituras.com/manoeldebarros_bio.asp


 "Difícil fotografar o silêncio", de Manoel de Barros


Perfil do autor:


•
Cronologicamente pertence à geração de 45.
•Poeta moderno no que se refere ao trato com a linguagem.
•Avesso à repetição de formas e ao uso de expressões surradas, ao lugar comum e ao chavão.
•Mutilador da realidade e pesquisador de expressões e significados verbais.
•Temática regionalista indo além do valor documental para fixar-se no mundo mágico das coisas banais retiradas do cotidiano.
•Inventa a natureza através de sua linguagem, transfigurando o mundo que o cerca.
•Alma e coração abertos a dor universal.
•Tematiza o Pantanal, universalizando-o.
•A natureza é sua maior inspiração, o Pantanal é o de sua poesia.

Obras
•Poemas concebidos sem pecado - 1937,
•Face imóvel - 1942,
•Poesias - 1956,
•Compêndio para uso dos pássaros - 1960,
•Gramática expositiva do chão - 1966,
•Matéria de poesia - 1970,
•Arranjos para assobio - 1980,
•Livro de pré-coisas - 1985,
•O guardador de águas - 1989,
•Gramática expositiva do chão - poesia quase toda - 1990,
•Concerto a céu aberto para solo de aves - 1993,
•Livro de ignorãças - 1993,
•Livro sobre nada -1996,
•Ensaios fotográficos - 2000,
•Exercícios de ser criança - 2000,
•O fazedor de amanhecer - 2001,
•Tratado geral das grandezas do ínfimo - 2001,
•Para encontrar o azul eu uso pássaros - 2003,
•Memórias Inventadas - Infância - 2003,
•Cantigas por um passarinho à toa - 2003,
•Encantador de palavras- Edição de portuguesa - 2000,
•Les paroles sans limite - Edição francesa - 2003,
•Todo lo que no invento es falso - Antologia na Espanha - 2003,
•Águas - 2001,
•Das Buch der Unwissenheiten - Edição da revista alemã Alkzent - 1996,
•Poemas rupestres - 2004,
•Memórias inventadas I - 2005,
•Memórias inventadas II - 2006,

Livros Premiados
1.“Compêndio para uso dos pássaros”
Prêmio Orlando Dantas - Diário de notícias
08 de setembro de 1960 - Rio de Janeiro
2.“Gramática expositiva do chão”
Prêmio Nacional de poesias - 1966
Governo Costa e Silva - Brasília
3.“O guardador de águas”
Prêmio Jabuti de poesias - 1989 - São Paulo
4.“Livro sobre nada”
Prêmio Nestlé de Poesia - 1996
5.“Livro das Ignorãnças”
Prêmio Alfonso Guimarães da Biblioteca Nacional
Rio de Janeiro - 1996
6.Conjunto de obras
Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura
05 de novembro de 1998
7.Secretaria de Cultura de Mato Grosso do Sul como melhor escritor do ano 1990
“Prêmio Jacaré de Prata”
8.Livro “Exercício de ser criança”
Prêmio Odilo Costa Filho - Fundação do Livro Infanto Juvenil - 2000
9.Livro “Exercício de ser criança” - 2000
Prêmio Academia Brasileira de Letras
10.Pen Clube do Brasil- data não anotada
11.“O fazedor de amanhecer (Salamandra) - livro de ficção do ano
Prêmio Jabuti- 2002
12.“Poemas Rupestres” - Prêmio APCA 2004 de melhor poesia- 29 de março de 2005
13.“Poemas Rupestres” - Prêmio Nestlé - 2006
 Fonte: http://www.fmb.org.br/index.php?idp=3
   
   
       


Documentário

Só Dez Por Cento é Mentira (Manoel de Barros) - 2008

"Nasceu com uma anomalia incurável: nasceu poeta."