quinta-feira, 25 de julho de 2013

25 de julho -- Dia do Escritor

Fonte: www.facebook.com/photo.phpfbid=633986879959290&set=a.302397109784937.77671.292974040727244&type=1&theater

A poesia é mais que uma brincadeira com as palavras, é a expressão da alma.

A revista EDUCAR PARA CRESCER trouxe um teste "delicioso" para os apaixonados por Fernando Pessoa e seus heterônimos.
Como sou fascinada pela "turma" pessoana fiz o teste e adorei o resultado.

Literatura

Que poema de Fernando Pessoa é você?


Responda ao teste desenvolvido por Fernando Segolin, professor de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP, e veja com qual poema de qual heterônimo pessoano você se identifica.


http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/que-poema-de-fernando-pessoa-e-voce.shtml?fb_action_ids=4493578276942&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582


Depois de fazer o teste, eis quem sou:

O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares
“A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!”
 
(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)

O poeta Fernando Pessoa tinha uma atração peculiar por
 Bernardo Soares. Para início de conversa, ele o classificava de semi-heterônimo porque: “não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela”. Ou ainda: “Sou eu menos o raciocínio e a afetividade.” É importante destacar que foi por meio de Bernardo Soares, autor de “O Livro do Desassossego”, espécie de diário em prosa poética escrito a partir de 1914 que o poeta Fernando Pessoa mais sinceramente falou de si mesmo. 

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia aentrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência
http://educarparacrescer.abril.com.br/imagens/moldura_foto/inf_dir.jpghttp://educarparacrescer.abril.com.br/imagens/moldura_foto/inf_esq.jpg
Por: Marion Frank

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Um poema e muitas faces


Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade)

- na voz de Samuel Rosa-





Poema de Sete Faces 
Carlos Drummond de Andrade 


Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra 
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. 

As casas espiam os homens 
que correm atrás de mulheres. 
A tarde talvez fosse azul, 
não houvesse tantos desejos. 

O bonde passa cheio de pernas: 
pernas brancas pretas amarelas. 
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. 
Porém meus olhos 
não perguntam nada. 

O homem atrás do bigode 
é sério, simples e forte. 
Quase não conversa. 
Tem poucos, raros amigos 
o homem atrás dos óculos e do -bigode, 

Meu Deus, por que me abandonaste 
se sabias que eu não era Deus 
se sabias que eu era fraco. 

Mundo mundo vasto mundo, 
se eu me chamasse Raimundo 
seria uma rima, não seria uma solução. 
Mundo mundo vasto mundo, 
mais vasto é meu coração. 

Eu não devia te dizer 
mas essa lua 
mas esse conhaque 
botam a gente comovido como o diabo.


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Seven-Sided Poem
Carlos Drummond de Andrade


When I was born, one of the crooked
angels who live in shadow, said:
Carlos, go on! Be gauche in life.

The houses watch the men,
men who run after women.
If the afternoon had been blue,
there might have been less desire.

The trolley goes by full of legs:
white legs, black legs, yellow legs.
My God, why all the legs?
my heart asks. But my eyes
ask nothing at all.

The man behind the moustache
is serious, simple, and strong.
He hardly ever speaks.
He has a few, choice friends,
the man behind the spectacles and the moustache.

My God, why hast Thou forsaken me
if Thou knew's I was not God,
if Thou knew'st that I was weak.

Universe, vast universe,
if I had been named Eugene
that would not be what I mean
but it would go into verse
faster.
Universe, vast universe,
my heart is vaster.

I oughtn't to tell you,
but this moon
and this brandy
play the devil with one's emotions.

Translated by Elizabeth Bishop

Suzana (aka Dr. Maia) and friends are celebrating the new season and life-changes as she joins the birds flying South for the time being... 
Evacuation/Migration Party
Saturday, October 6th, 2007
Brooklyn, New York
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As muitas faces de um vestibulando


Quando nasci, um anjo chato
Desses que ficam no pé da gente
Disse: Vai, Carlos! Estudar na vida.

As casas estão cheias de mães
Que maçam a vida dos filhos.
Talvez os dias fossem mais alegres
Houvesse um lugar pra passar as férias.

As folhas dos livros passam cheias de gráficos:
Gráficos simples, difíceis, complicados, de outro mundo.
Para que tanto gráfico, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém, minha mãe
não pergunta nada.

O homem que nem tem bigode
Não é sério, nem liga se devo estudar ou não.
Tem muitos amigos,  uma miríade de amigos
O homem que não é sério é meu pai.

Meu Deus, porque tanto livro
Se sabias que eu estava de férias
Se sabias que eu queria viajar.

Mundo, mundo, grande mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Seria um revoltado.
Mundo, mundo, vasto mundo,
Mais vastos são os temas das redações.

Eu não devia nem dizer
Mas, esses livros
Mas, esses simulados
Botam a gente na expectativa do vestibular.
Neuceli Silva
03/07/2013









sábado, 29 de junho de 2013




O MITO DA CAVERNA
(PLATÃO)
O mito da caverna, escrito há quase 2500 anos, também chamado de “Alegoria da Caverna”, foi escrito pelo filósofo Platão, e encontra-se na obra intitulada A República (livro VII).





O mito ou “Alegoria” da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VI de “A República” onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.
A narrativa expressa dramaticamente a imagem de prisioneiros que desde o nascimento são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma parede iluminada por uma fogueira. Essa, ilumina um palco onde estátuas dos seres como homem, planta, animais etc. são manipuladas, como que representando o cotidiano desses seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na parede, sendo a única imagem que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o correr do tempo, os homens dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, torneios para se gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas denominações e regularidades.
Imaginemos agora que um destes prisioneiros é forçado a sair das amarras e vasculhar o interior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão era a fogueira e que na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia que passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade, isto é, estando afastado da verdadeira realidade. Mas imaginemos ainda que esse mesmo prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. Ao sair, a luz do sol ofuscaria sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se à nova realidade, poderia voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna. Não demoraria a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do que as sombras e as estátuas, sendo, portanto, mais reais. Significa dizer que ele poderia contemplar a verdadeira realidade, os seres como são em si mesmos. Não teria dificuldades em perceber que o Sol é a fonte da luz que o faz ver o real, bem como é desta fonte que provém toda existência (os ciclos de nascimento, do tempo, o calor que aquece etc.).
Maravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter da realidade, esse ex-prisioneiro lembrar-se-ia de seus antigos amigos no interior da caverna e da vida que lá levavam. Imediatamente, sentiria pena deles, da escuridão em que estavam envoltos e desceria à caverna para lhes contar o novo mundo que descobriu. No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a realidade que presenciam, vão debochar do seu colega liberto, dizendo-lhe que está louco e que se não parasse com suas maluquices acabariam por matá-lo.
Este modo de contar as coisas tem o seu significado: os prisioneiros somos nós que, segundo nossas tradições diferentes, hábitos diferentes, culturas diferentes, estamos acostumados com as noções sem que delas reflitamos para fazer juízos corretos, mas apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. A caverna é o mundo ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, (pré-conceitos, pré-juízos). Quando começamos a descobrir a verdade, temos dificuldade para entender e apanhar o real (ofuscamento da visão ao sair da caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber. O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para Platão é o mundo inteligível por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma identidade indestrutível e imóvel, garantindo o conhecimento dos seres sensíveis. O inteligível é o reino das matemáticas que são o modo como apreendemos o mundo e construímos o saber humano. A descida é a vontade ou a obrigação moral que o homem esclarecido tem de ajudar os seus semelhantes a saírem do mundo da ignorância e do mal para construírem um mundo (Estado) mais justo, com sabedoria. O Sol representa a Ideia suprema de Bem, ente supremo que governa o inteligível, permite ao homem conhecer e de onde deriva toda a realidade (o cristianismo o confundiu com Deus).
Portanto, a alegoria da caverna é um modo de contar imageticamente o que conceitualmente os homens teriam dificuldade para entenderem, já que, pela própria narrativa, o sábio nem sempre se faz ouvir pela maioria ignorante.
Por João Francisco P. Cabral 
Colaborador Brasil Escola 
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU 
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP


INTERTEXTUALIDADE

Maurício de Souza utilizou a temática da Alegoria da Caverna para nos mostrar através da HQ, quais são nossas prisões modernas. O ser humano do século XXI não percebe o mundo a sua volta - o mundo real - e prefere viver no mundo das "ideias" representada pela televisão. 
Através dessa reflexão é possível identificar as inúmeras amarras que privam o homem da liberdade.




REFLETINDO:
 Nos dias atuais, quais são nossas reais cavernas?






sexta-feira, 28 de junho de 2013




Jogo da Literatura
Teste seus conhecimentos

Você se lembra de personagens, acontecimentos e estilos de escrita dos clássicos que já leu ou ouviu falar? Neste jogo, avalie seu conhecimento sobre 25 livros nacionais e estrangeiros relacionando os trechos apresentados às respectivas obras. Bom jogo!


http://revistaescola.abril.com.br/swf/jogos/jogoLiteratura/

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Agora sei por que os leitores ficam encantados com esse livro. Adorei as "desventuras" de Greg Heffley.
http://www.recreio.com.br/downloads/flips/flip-banana-6/
Jeff Kinney, autor de O Diário de um Banana virá ao Brasil para o lançamento do sétimo volume, previsto para o primeiro semestre de 2013. Sucesso no mundo inteiro, os livros da série Diário de um Banana já atingiram 1,3 milhão de cópias vendidas apenas no Brasil.