domingo, 28 de julho de 2013

Antologias

ATIVIDADE
PRODUÇÃO DE ANTOLOGIAS

Esse Trabalho tem como principal objetivo o desenvolvimento da competência leitora do aluno. Mais que nomear as escolas literárias, identificar suas características e agrupar os autores, o jovem deve ter o contato mais íntimo com a obra escrita e dela extrair a seiva (elemento vital) que conduz à capacidade de apreciar e compreender o texto literário.

“Há muita maneira de fazer-se uma antologia e não se sabe qual seja a melhor. Pode-se usar um critério estético, ou didático, ou outros, conforme o objetivo que se tenha em vista. Para o leitor, a melhor antologia é a que ele mesmo organiza, ao eleger, na obra completa de um escritor, aquilo que mais lhe agrada, embora, com o passar do tempo, se possa ver como o gosto pessoal varia, e o que nos agrada numa época há não nos agrada igualmente noutra, tão volúveis somos em nossas preferências e tão diferentes são as perspectivas, no caminho da nossa evolução.” (Cecília Meireles)


O que é uma antologia?

Definições:
Antologia (ανθολογία ou "coleção de flores", em grego), é uma coleção de trabalhos literários (ou musicais) agrupados por temática, autoria ou período. A palavra vem do nome da mais antiga antologia que se tem conhecimento, organizada pelo poeta grego Meléagro.
Antologia é usada para categorizar coleções de obras curtas, tais como histórias curtas e romances curtos, em geral agrupados em um único volume para publicação. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Antologia)

Antologia
(an.to.lo.gi:a)sf.
1. Coleção de textos (em prosa ou em verso) selecionados de forma que melhor representem a obra de um autor, ou um tema comum a vários autores, ou uma época etc.; COLETÂNEA; SELETA
2. P.ext. Coleção semelhante de músicas, ou de filmes etc.
3. Bot. Estudo das flores.
4. Bot. Coleção de flores; FLORILÉGIO
[F.: Do gr. anthología, as, 'ação de colher flores'; 'coleção de trechos literários' Hom./Par.: antologia(s) (sf.[pl.]), antologia(s) (fl. de antologiar).]


PROJETO
Antologia de poesia do século XIX
"A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças". (Prof. David -- Universidade de Liverpool, Londres)

Justificativa: A poesia do século XIX, além da beleza literária, está imbuída dos sentimentos de uma época. A leitura desse gênero tende a despertar nos jovens o gosto pela leitura de fruição, tornando-se uma importante estratégia para a formação do leitor proficiente. Desenvolve, também, um amplo conhecimento do contexto em que foram escritas e, consequentemente, remete à reflexão aos dias atuais, comparando como era a literatura em determinada época e como ela influenciou e influencia as produções atuais.
Objetivos: Despertar o gosto pela leitura de fruição; desenvolver a competência leitora através da leitura de poesias; reconhecer características da poesia do século XIX; identificar contexto de produção de obra literária; Relacionar os modos de organização da linguagem na literatura às escolhas do autor, à tradição literária e ao contexto social da época.

Público alvo: alunos da 2ª série do Ensino Médio – Turmas A e B.

Duração: 1 bimestre.

Conteúdos e temas: Romantismo (contexto histórico); Romantismo em Portugal; Romantismo no Brasil; As gerações românticas; A poesia do Século XIX; Antologia.
Estratégias: Aulas interativas com a participação dialógica dos alunos; pesquisa; trabalho em grupo.
Recursos: Livro didático; obras literárias, computador (com internet); dicionário de Língua Portuguesa; biblioteca.
Produto final: Livro de antologias.
Avaliação: Produção de livro de antologia poética; autoavaliação.
Professora responsável: Neuceli Maria da Silva.
Referências bibliográficas: AMORA, Antônio Soares. O romantismo. 5. Ed. São Paulo: Cultrix,1976. (Literatura brasileira,2).
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF,1998.
Caderno do professor: língua portuguesa, ensino médio – 2ª série, volume 1/Secretaria da Educação – São Paulo: SEE,2009
Currículo do Estado de São Paulo: Linguagens, códigos e suas tecnologia/Secretaria da Educação. São Paulo:SEE,2010


Produções dos alunos


 Amanda Pires, Beatriz, Rosiellen
(2ª série B- EM)









 Allan Guilherme, Igor Gustavo, Victor Prado
(2ª série B -EM)






Carla Luana Cestari
(2ª série B - EM)




Carlos Sergio Candido Junior
(2ª série B - EM)







Larissa da Silva, Nathalia Fernandes, Thalia Santos
(2ª série A - EM)









Amanda Aparecida Pitana, Jessica Cristina Rodrigues, Juliana Ronchesel
(2ª série A - EM)






Gabrieli Aparecida Tavares
Mateus Henrique Gallo
(2ª série A - EM)

******************************************************************************************************************************************************************************************





Fonte:
Projetohttp://www.brasilescola.com/upload/conteudo/images/semana-arte-moderna-um-dos-principais-eventos-historia-arte-no-brasil-1318934860.jpg

PROJETO
Antologia de textos do Modernismo

"O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria."(Mário Quintana)




Justificativa: O contato com diferentes textos de diferentes épocas proporciona ao aluno a ampliação de seus conhecimentos. Além disso, os jovens que estão às portas do vestibular necessitam do contato mais próximo com os autores consagrados da literatura (brasileira e portuguesa). O trabalho com a pesquisa de textos modernistas provoca no aluno o desejo de conhecer os autores por detrás dos textos e o contexto de produção de sua obra. Portanto, uma estratégia eficiente para a preparação do leitor do nosso século.

Objetivos: Despertar o gosto pela leitura de fruição; desenvolver a competência leitora através da leitura de diferentes gêneros literários; reconhecer características da obra modernista; identificar contexto de produção de obra literária; Relacionar os modos de organização da linguagem na literatura às escolhas do autor, à tradição literária e ao contexto social da época.

Público alvo: alunos da 3ª série do Ensino Médio – Turma  B.

Duração: 1 bimestre.

Conteúdos e temas: Modernidade e linguagem; Modernidade e Modernismo; Antologia; Semana de Arte Moderna; Primeira e segunda geração modernista.

Estratégias: Aulas interativas com a participação dialógica dos alunos; pesquisa; trabalho em grupo.

Recursos: Livro didático; obras literárias, computador (com internet); dicionário de Língua Portuguesa; biblioteca.

Produto final: Livro de antologias.

Avaliação: Produção de livro de antologia de textos do Modernismo; autoavaliação.

Professora responsável: Neuceli Maria da Silva.

Referências bibliográficas:BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF,1998.
Caderno do professor: língua portuguesa, ensino médio – 2ª série, volume 1/Secretaria da Educação – São Paulo: SEE,2009
Currículo do Estado de São Paulo: Linguagens, códigos e suas tecnologia/Secretaria da Educação. São Paulo:SEE,2010
HTTP:// youtube.com/watch?v=KKOHPNOzr2E (Modernismo)

Produções  dos alunos



João Vitor Místico
Lucas Baltazar Cayres
Victor Draghi
(3ª série - EM)






Danielle Cruz
Gustavo Guerra
Matheus Henrique Martins
(3ª série B - EM)






Guilherme Gomes
Marcio Alves
Pedro Renan
(3ª série B - EM)





Andressa Leardini
Ione Ribeiro
Mariana Silva
(3ª série B - EM) 




Douglas Braguim
Jeovana Braguin
Julia Gomes Bonizol
3ª série B - EM

ABAPORU

Artista: Tarsila do Amaral 
Criação: 1928

Abaporu é um quadro em pincel sobre tela da pintora brasileira Tarsila do Amaral. Hoje, é a tela brasileira mais valorizada no mundo, tendo alcançado o valor de US$ 1,5 milhão, pago pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em 1995.


O que é Abaporu:
Abaporu é uma clássica pintura do modernismo brasileiro, da artista Tarsila do Amaral. O nome da obra é de origem tupi-guarani que significa "homem que come gente" (canibal ou antropófago), uma junção dos termos aba (homem), pora(gente) e ú (comer).

A tela foi pintada por Tarsila em 1928 e oferecida ao seu marido, o escritor Oswald de Andrade. Os elementos que constam da tela, especialmente a inusitada figura, despertaram em Oswald a ideia de criação do Movimento Antropofágico. O Movimento consistia na deglutição da cultura estrangeira, incorporando-a na realidade brasileira para dar origem a uma nova cultura transformada, moderna e representativa da nossa cultura.
O quadro Abaporu foi vendido no ano de 1995 para o argentino Eduardo Constantini por 1,5 milhões de dólares e encontra-se exposto no MALBA (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires).
Em março de 2011, o Abaporu foi emprestado pelo MALBA para integrar a exposição "Mulheres, Artistas e brasileiras", realizada no Salão Oeste do Palácio do Planalto, em Brasília, que reuniu 80 obras do século XX, pertencentes a 49 artistas mulheres do Brasil. Esta iniciativa consistiu em uma homenagem ao mês da mulher.

Releitura da obra

Romero Britto e Abaporu

Este quadro (Abaporu) , que tem oitenta e cinco centímetros de altura e setenta  e três centímetros de largura, é considerado por alguns críticos como o quadro mais importante produzido no Brasil. O Abaporu teve grande influência em vários artistas brasileiros. Romero Britto, pintor e escultor brasileiro, produziu um quadro que é uma releitura da obra Abaporu, da autoria de Tarsila do Amaral.
Romero Britto é um pintor e escultor brasileiro, nasceu em Recife-Pernambuco, em 6 de outubro de 1963. Hoje vive em Miami, nos Estados Unidos. Britto segue o estilo da Pop-Art, estilo artístico que surgiu no final dos anos 50 e está baseado no reprocessamento de imagens populares e de consumo, estando ligado ao trabalho publicitário. As telas de Romero Britto são alegres e coloridas, na maioria delas ele usa textura gráfica, explorando formas geométricas. Romero afirma já haver pintado 5.000 telas, espalhadas por 70 países. O quadro Abaporu é uma releitura da obra Abaporu de Tarsila do Amaral. 


Book trailer - O sonho do Abaporu




REFLEXÃO: Por que uma obra de tamanha importância para a memória brasileira mora em outro país?

LITERATURA PARA TODOS

Primeiro livro de literatura infantil traduzido na Bahia para o público surdos e cegos.

A MENINA QUE NÃO GOSTAVA DE LER
(Lilia Gramacho)
Literatura em Libras estimula inclusão e desenvolvimento de crianças surdas



Histórias impressas e vídeos em Libras instigam memória e vocabulário.
"Realfabetização" dos pais é importante para a criança se sentir acolhida.

Fernanda BresciaDo G1 MG
Com quatro anos, Fabrizzio Castro já sabe ler, escrever e chama a atenção como contador de histórias. A mãe dele, Fernanda Soares, credita o desenvolvimento ao intenso contato da criança com literatura. O menino, que é surdo desde o nascimento, é apaixonado por livros e DVDs infantis e chega a pedir os artigos como presente em datas comemorativas ao invés de brinquedos.
"Ele prefere livros a carrinhos", diz Cláudia Soares, avó de Fabrízzio Castro (Foto: Fernanda Brescia/G1)"Ele prefere livros a carrinhos", diz Cláudia Soares, avó de Fabrízzio Castro (Foto: Fernanda Brescia/G1)
Histórias em formato impresso ou digital estimulam o vocabulário e o ganho de habilidades para crianças surdas. As narrativas traduzidas ou adaptadas para a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) são ainda mais indicadas, segundo especialistas. Para a professora e coordenadora do Núcleo de Libras da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Elideia Bernadino, o contato com a Libras deve ser incentivado desde cedo. “O quanto antes [a criança] tiver contato com a Libras, melhor pra ela, porque vai ajudar no desenvolvimento cognitivo e ela vai adquirir uma língua cedo. O aprendizado da Libras não vai interferir no aprendizado do português”, afirma.
Ainda segundo a pesquisadora, as expressões corporais e faciais do intérprete que conta uma história transmitem sentimentos que ajudam na integração e no desenvolvimento das crianças da comunidade surda. “Vários surdos falam comigo: ‘português não tem emoção como a Libras’. O texto escrito é uma coisa fria para uma pessoa que não domina a língua. Na Libras, a criança sente a emoção narrada”, disse.
Fabrizzio, que é filho de surdos, teve contato com a Libras desde o nascimento. “Desde os primeiros meses, ele já é sinalizado. Ele falava ‘mamãe’ e ‘papai’ usando sinais. Hoje, ele está começando a aprender o português”, relatou a avó do menino, Cláudia Soares.
Aos quatro anos, Fabrízzio, que é filho de surdos, se comunica em Libras e está aprendendo Português (Foto: Fernanda Brescia/G1)Aos quatro anos, Fabrízzio, que é filho de surdos, se comunica em Libras e está aprendendo Português (Foto: Fernanda Brescia/G1)
Mãe e avó de surdos, Cláudia acompanhou a evolução da literatura deste segmento nas duas últimas décadas. “Antes não se usava Libras, era tudo oralizado”, disse. Cláudia conta que a filha dela, Fernanda Soares, sofreu muito quando era criança. “Eu lembro que eu tinha um livro da Branca de Neve. Eu mostrava, contava do meu jeito em português e ela não entendia nada. Ela era oralizada, mas não sabia nem Libras, nem português. Ela chorava porque não compreendia e eu queria que a menina falasse, né”, disse.
Segundo Cláudia, antigamente, a surdez era vista como doença e os surdos não eram acolhidos como hoje. Ela relatou que tinha 18 anos quando descobriu que a filha Fernanda, com cinco meses, era surda, mas não aceitava. “Eu teimava pra ela falar ‘copo’, mas ela não entendia. Era difícil construir uma história, uma frase”, disse. “Quando ela dominou a Libras, aos 16 anos, passou a dar significado para as coisas”, completou. “Às vezes ela me perguntava ‘o que é isto?’ e eu não conseguia passar pra ela. Com o Fabrizzio, o retorno é imediato. Tenho várias formas para mostrar para ele. A comunicação é 100%. Com a Fernanda, não chegava aos 50%”, conta.
Vários surdos falam comigo: ‘português não tem emoção como a Libras’. O texto escrito é uma coisa fria para uma pessoa que não domina a língua. Na Libras, a criança sente a emoção narrada"
Elideia Bernadino, coordenadora do
Núcelo de Libras da UFMG
Para Cláudia, o reconhecimento da Libras como língua foi importante tanto para o avanço da literatura voltada para surdos, quanto para o desenvolvimento de outras áreas do conhecimento e pesquisas. Segundo informações da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis), atualmente, cerca de 3% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência auditiva. Em 2002, o governo federal reconheceu a Libras como a língua oficial a ser utilizada pelos surdos, por meio da Lei 10.436.

Para a pesquisadora da UFMG Elidea Bernardino, é essencial que a família da criança surda aprenda Libras para que ela se sinta incluída. “A maioria dos surdos têm pais ouvintes, 90%, 95%. Um número muito pequeno de crianças surdas tem contato com surdos no início. Assim que uma criança surda nasce, os familiares ouvintes têm que ser ‘realfabetizados’”, diz.

Neste sentido, também é importante que os pais e familiares criem estratégias para incentivar as crianças a ler e se integrar. “Conheço um pai que, para criar o gosto pela leitura, começava a ler pra ele [para o filho] e, quando a história chegava ao clímax, ele fechava o livro, entregava para o menino e falava: ‘agora, você vai ler’. Aí, ele [a criança] ia começando a ler a história toda, entendendo melhor o português, ia curioso”, contou.

Segundo Elidea, narrativas elaboradas para as crianças surdas também devem ter elementos do português para que os pais compreendam e transmitam a mensagem aos filhos. “A história geralmente é sinalizada e tem legendas para os familiares entenderem o que é falado. O objetivo é chegar ao surdo pela sinalização e não pela legenda. Por isto, até a posição da leitura é diferente, pois a criança tem que ver o rosto de quem conta”, reflete a pesquisadora.

Para ela, histórias também são importantes para o desenvolvimento de habilidades como a memória e a noção de princípio, meio e fim, essencial para a compreensão de passado, presente e futuro. Cláudia e Fernanda, avó e mãe de Fabrízzio, investem em jogos e brincadeiras. ”A memória do surdo é visual. Um quebra-cabeça com 80 peças ele [Fabrizzio] monta em segundos. No jogo da memória, então, ele ganha de qualquer um”, diz Cláudia.
"No jogo da memória, ele ganha de qualquer um", diz Cláudia Soares sobre o neto Fabrizzio (Foto: Fernanda Brescia/G1)"No jogo da memória, então, ele ganha de qualquer um", diz Cláudia Soares sobre o neto Fabrizzio (Foto: Fernanda Brescia/G1)
Mercado
No Brasil, o mercado literário tem crescido para atender a demanda da comunidade surda, especialmente das crianças, mas as iniciativas ainda não atendem a todos, segundo especialistas. “Me parece que ações governamentais são muito tímidas em relação a isto. Vejo que há muito barulho e pouca luz”, disse Astomiro Romais, diretor da Editora da Ulbra.
Geralmente, as narrativas publicadas por editoras são adequadas para o universo da comunidade surda. Temas como a interação entre surdos e ouvintes, a maneira como o surdo enxerga o mundo e a relação dos parentes ouvintes com o único surdo da família são recorrentes na literatura do gênero. A adaptação de livros clássicos também aparece com frequência nas prateleiras das livrarias e das videolocadoras.
Cinderela Surda perde a luvinha, ao invés do sapato de cristal (Foto: Editora da Ulbra)Cinderela Surda perde a luvinha, ao invés do sapato de cristal (Foto: Editora da Ulbra)
Segundo o editor-assistente da Editora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Roger Kessler, a iniciativa é inclusiva e tende a gerar aproximação entre crianças surdas e ouvintes. “A tendência tem sido esta, de lançar livros com personagens consagrados do imaginário infantil”, diz. Para o diretor da editora, Astomiro Romais, também é importante que a história tenha elementos do universo surdo. Um dos livros lançados em 2003 pela empresa, Cinderela Surda, reconta a fábula da moça que encontra o príncipe depois da meia noite e vive feliz para sempre. Neste caso, a princesa perde a luva e não o sapatinho de cristal. “A intenção é valorizar a questão da própria mão como elemento da comunicação, elemento fundamental da linguagem visual”, reflete.

A avó de Fabrizzio, Cláudia Soares, diz que o menino tem uma coleção de artigos de literatura em casa. “Fabrizzio tem muitos livros, DVDS imensos, tem histórias da Turma da Mônica em Libras, do Pinóquio. Hoje, é muito vasto o material em Libras. Há livrinhos, quebra-cabeça, dominó, jogo da memória. Então, tem muita coisa pra construir este vocabulário, este mundo da Libras”, conta. Ela diz que um dos livros do menino reconta a história dos Três Porquinhos. Na versão, quando o Lobo Mau toca a campainha, o equipamento ativa as luzes da casa para que os porquinhos surdos abram a porta, ao invés de emitir um som. Segundo ela, o garoto também tem livros não traduzidos. “Quando eu compro um livro de história comum, ele vê a gravura e quer saber se a casa é grande, pequena, qual é a cor. Ele fica olhando para a gravura e pra mim para que eu explique cada página em Libras. É tudo gestovisual”, diz.
Para Cláudia, o fato de a criança conhecer o personagem, ajuda no aumento do vocabulário e na efetividade da comunicação. “Ele conhece os personagens, sabe que o Cascão não gosta de tomar banho. Com muita certeza é aprendizado porque dali ele imagina outras histórias”, diz. (Veja, ao lado, um trecho de uma história da Turma da Mõnica em Libras).  Ela também critica a resistência das editoras a publicar narrativas inéditas. “Acho que falta capacitação em Libras”, afirma.
A Editora Arara Azul também adapta clássicos da literatura universal para a Libras e o carro-chefe do gênero na empresa são os vídeos com intérpretes que acompanham o material impresso. “Nosso foco é trazer para a língua de sinais um pouco da tradição literária da humanidade. As pessoas surdas são em sua essência biculturais, já que vivem no mundo dos ouvintes e da comunidade surda, quando possível. Assim, como qualquer criança, é importante ter contato com o mundo da imaginação”, diz a gerente editorial e de projetos da editora, Clelia Regina Ramos.

Em 2003, a editora lançou o primeiro livro da coleção digital bilíngue português/Libras, "Alice no País das Maravilhas", com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Acesse o site da Editora Arara Azul para ter acesso à parte da história.
Narrativa do clássico Alice no País das Maravilhas tem elementos para atender às crianças surdas e aos pais ouvintes (Foto: Editora Arara Azul)Narrativa do clássico Alice no País das Maravilhas tem elementos para atender às crianças surdas e aos pais ouvintes (Foto: Editora Arara Azul)
Tanto na Arara Azul quanto na Editora da Ulbra, o trabalho de “tradução” e adaptação das narrativas é feito com a participação de surdos.
O Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) produz vídeos com histórias narradas por pessoas caracterizadas como os personagens. Assista a um trecho da história da Chapeuzinho Vermelho.

Família e escola

Para que as crianças surdas não sofram nenhuma defasagem, é essencial o incentivo dos familiares, segundo especialistas. “Eles têm que quebrar as barreiras da comunicação. A maioria dos pais não aprende Libras e delega para a escola a função de educação do surdo. Poucos se dedicam a buscar uma comunicação efetiva com os filhos”, diz Elidea. A pesquisadora conta que já teve que interferir no diálogo entre uma adolescente surda e a mãe dela, que não conhecia a linguagem de sinais e pediu ajuda para convencer a menina de que ela não deveria sair sozinha à noite. “Ele [o surdo] acaba ficando isolado. Normalmente, uma pessoa aprende e passa a ser o interlocutor na família. Os pais falam para o irmão traduzir”, completa.
A pedagoga e professora de nível médio Luciana Freitas coordena um curso de Libras para familiares de surdos em Belo Horizonte e diz que a maioria dos pais têm resistência para aprender a nova língua. “Eles querem que o filho fale, querem que eles ouçam. Ainda mais agora com o implante coclear, as próteses”, diz. Ela aponta a importância do esforço dos pais para que as crianças tenham a Libras como língua materna. “É importante que a criança tenha uma referência. Com seis meses, ela já vai balbuciar alguns sinais”, diz.
Eles têm que quebrar as barreiras da comunicação. A maioria dos pais não aprende Libras e delega para a escola a função de educação do surdo"
Elidea Bernardino, coordenadora
do Núcleo de Libras da UFMG
De acordo com Luciana, todos os alunos de uma instituição em que ela lecionou, tinham mais contato com Libras na escola do que em casa. Ela diz que a instituição recebia livros do Ministério da Educação (Mec). “Geralmente, a escola dá um kit para o aluno com caderno, lápis e um kit literário. Alguns livrinhos eles [os alunos] podem levar. Mas, em casa, geralmente é usada a língua oral mesmo”, falou. Ainda segundo a pedagoga, alguns dos materiais didáticos também eram integrados à biblioteca local. “Na medida do possível a gente está assistido, mas poderia ter muito mais [materiais]. Acho que é uma área nova, que está caminhando”, disse.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), estudantes surdos matriculados em escolas públicas recebem materiais didáticos impressos em Língua Portuguesa acompanhados por um CD em Libras. Ainda de acordo com o ministério, em 2006, 33 mil exemplares do livro didático de alfabetização acessível em Libras foram disponibilizados para as instituições do país. Em 2007 e 2008, foram distribuídos 463.710 exemplares da Coleção Pitanguá acessível em Libras (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História) para alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Em 2011, 254.712 exemplares da Coleção Porta Aberta – FTD, acessível em Libras, foram enviados às escolas, de acordo com o ministério. Exemplares do Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue: Libras, Português e Inglês e materiais para a capacitação de professores e educadores também são disponibilizados, de acordo com o Mec.

Para Cláudia Soares, avó e mãe de surdos, ainda faltam investimentos por parte dos governos e do mercado literário para que haja aumento da divulgação e disponibilização de materiais em Libras e audiovisuais. “É uma luta, é muito esforço de estar querendo o melhor mesmo. Nossas autoridades têm que fazer mais pelos surdos. Não falo que são especiais; eles são capazes, competentes”, diz ela. “A criança surda precisa ter a língua materna dela, a Libras, numa escola regular. A gente defende a escola bilíngue, mas a gente não tem”, afirma.

Segundo dados do MEC, no ano passado, 70.823 estudantes com surdez e com deficiência auditiva foram matriculados na Educação Básica, sendo 33.372 estudantes com surdez severa e profunda e 37.451 com deficiência auditiva. Deste total, 22.249 estudantes com surdez e 30.251 com deficiência auditiva estão matriculados nas escolas comuns de ensino regular, representando um total de 52.500, ou 74%.

Nas escolas regulares, os surdos têm aulas com os alunos ouvintes e uma intérprete. Em Minas Gerais, estes estudantes contam com salas de estudos e acompanhamento de profissionais, segundo a Secretaria de Estado e Educação.

A gerente editorial e de projetos da Editora Arara Azul, Clelia Regina Ramos, ressalta que o surdo tem direito a ter todos os materiais que as outras pessoas têm traduzidos para a Libras, mas o material ainda é caro. “É trabalho com multimídia, os profissionais são caros, tem filmagem”. Ela aponta a necessidade de mais investimentos e parcerias para que o setor cresça.
(O trecho do vídeo da Turma da Mônica foi cedido pela Maurício de Souza Produções).


quinta-feira, 25 de julho de 2013

25 de julho -- Dia do Escritor

Fonte: www.facebook.com/photo.phpfbid=633986879959290&set=a.302397109784937.77671.292974040727244&type=1&theater

A poesia é mais que uma brincadeira com as palavras, é a expressão da alma.

A revista EDUCAR PARA CRESCER trouxe um teste "delicioso" para os apaixonados por Fernando Pessoa e seus heterônimos.
Como sou fascinada pela "turma" pessoana fiz o teste e adorei o resultado.

Literatura

Que poema de Fernando Pessoa é você?


Responda ao teste desenvolvido por Fernando Segolin, professor de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP, e veja com qual poema de qual heterônimo pessoano você se identifica.


http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/que-poema-de-fernando-pessoa-e-voce.shtml?fb_action_ids=4493578276942&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582


Depois de fazer o teste, eis quem sou:

O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares
“A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!”
 
(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)

O poeta Fernando Pessoa tinha uma atração peculiar por
 Bernardo Soares. Para início de conversa, ele o classificava de semi-heterônimo porque: “não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela”. Ou ainda: “Sou eu menos o raciocínio e a afetividade.” É importante destacar que foi por meio de Bernardo Soares, autor de “O Livro do Desassossego”, espécie de diário em prosa poética escrito a partir de 1914 que o poeta Fernando Pessoa mais sinceramente falou de si mesmo. 

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia aentrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência
http://educarparacrescer.abril.com.br/imagens/moldura_foto/inf_dir.jpghttp://educarparacrescer.abril.com.br/imagens/moldura_foto/inf_esq.jpg
Por: Marion Frank

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Um poema e muitas faces


Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade)

- na voz de Samuel Rosa-





Poema de Sete Faces 
Carlos Drummond de Andrade 


Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra 
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. 

As casas espiam os homens 
que correm atrás de mulheres. 
A tarde talvez fosse azul, 
não houvesse tantos desejos. 

O bonde passa cheio de pernas: 
pernas brancas pretas amarelas. 
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. 
Porém meus olhos 
não perguntam nada. 

O homem atrás do bigode 
é sério, simples e forte. 
Quase não conversa. 
Tem poucos, raros amigos 
o homem atrás dos óculos e do -bigode, 

Meu Deus, por que me abandonaste 
se sabias que eu não era Deus 
se sabias que eu era fraco. 

Mundo mundo vasto mundo, 
se eu me chamasse Raimundo 
seria uma rima, não seria uma solução. 
Mundo mundo vasto mundo, 
mais vasto é meu coração. 

Eu não devia te dizer 
mas essa lua 
mas esse conhaque 
botam a gente comovido como o diabo.


________________________________________________________________________
***********************************************************************************************************


Seven-Sided Poem
Carlos Drummond de Andrade


When I was born, one of the crooked
angels who live in shadow, said:
Carlos, go on! Be gauche in life.

The houses watch the men,
men who run after women.
If the afternoon had been blue,
there might have been less desire.

The trolley goes by full of legs:
white legs, black legs, yellow legs.
My God, why all the legs?
my heart asks. But my eyes
ask nothing at all.

The man behind the moustache
is serious, simple, and strong.
He hardly ever speaks.
He has a few, choice friends,
the man behind the spectacles and the moustache.

My God, why hast Thou forsaken me
if Thou knew's I was not God,
if Thou knew'st that I was weak.

Universe, vast universe,
if I had been named Eugene
that would not be what I mean
but it would go into verse
faster.
Universe, vast universe,
my heart is vaster.

I oughtn't to tell you,
but this moon
and this brandy
play the devil with one's emotions.

Translated by Elizabeth Bishop

Suzana (aka Dr. Maia) and friends are celebrating the new season and life-changes as she joins the birds flying South for the time being... 
Evacuation/Migration Party
Saturday, October 6th, 2007
Brooklyn, New York
____________________________________________________________________________________________________________*******************************************************************************************************************************************************************


As muitas faces de um vestibulando


Quando nasci, um anjo chato
Desses que ficam no pé da gente
Disse: Vai, Carlos! Estudar na vida.

As casas estão cheias de mães
Que maçam a vida dos filhos.
Talvez os dias fossem mais alegres
Houvesse um lugar pra passar as férias.

As folhas dos livros passam cheias de gráficos:
Gráficos simples, difíceis, complicados, de outro mundo.
Para que tanto gráfico, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém, minha mãe
não pergunta nada.

O homem que nem tem bigode
Não é sério, nem liga se devo estudar ou não.
Tem muitos amigos,  uma miríade de amigos
O homem que não é sério é meu pai.

Meu Deus, porque tanto livro
Se sabias que eu estava de férias
Se sabias que eu queria viajar.

Mundo, mundo, grande mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Seria um revoltado.
Mundo, mundo, vasto mundo,
Mais vastos são os temas das redações.

Eu não devia nem dizer
Mas, esses livros
Mas, esses simulados
Botam a gente na expectativa do vestibular.
Neuceli Silva
03/07/2013