terça-feira, 10 de novembro de 2020

Resenha Literária

 

OS VERSOS DE MANOEL

Por Neuceli Silva

 

“Só uso a palavra para compor meus silêncios.”

Assim foi escrito o último verso do poema O apanhador de desperdícios, do poeta mato-grossense, Manoel de Barros, em seu livro Memórias Inventadas/ As Infâncias de Manoel de Barros, publicado em 2008 pela editora Planeta. Se não bastassem os poemas encantadores, vem ainda, de brinde, as iluminuras de Martha Barros, filha do autor, ilustrando, de maneira majestática, cada texto presente na obra.

As infâncias vêm no plural – A Primeira Infância; A Segunda Infância; a Terceira Infância – assim distribuídos na obra com a intencionalidade de abranger as três fases da vida humana, a que ele mesmo alegara, terem sido todas as três, uma vida de infância bem vivida. Desse modo, viver, seria o termo mais coerente que se poderia utilizar para ilustrar cada um dos versos de cada um dos poemas transcritos neste livro. A vida pulsa em cada página e em todas as palavras ali presentes. Até o que poderia, no dito normal, ser considerado abjeto transforma-se em poesia: “[...]ao pé da roseira da minha avó, eu obrei.” e o ato de obrar se tornou poético. A personificação e a coisificação se misturam de maneira natural, de forma que uma formiga ajoelha numa pedra – “Hoje eu vi uma formiga ajoelhada na pedra” e o eu se transformo em coisa: ““Quando o rio está começando um peixe, / Ele me coisa”.

Aos que tem a crença na poesia como uma escrita que deva ser  voltada ao esmero, estilo parnasiano de expressar, não conhece a linguagem desse poeta da região centro-oeste do Brasil que, com maestria nos apresenta os seres – animados e, até inanimados - numa simplicidade que acaricia a mente e a alma, envolta pela natureza e pelos seres a quem ninguém dá importância. Seres desimportantes, como o próprio poeta os nomeia.  Sua poesia narrativa é repleta de neologismos – não neologismos exibicionistas -, mas criando nomenclaturas especiais, compreensíveis a uma criança. A poesia de Manoel de Barros é quase uma conversa entre velhos amigos, um prosear natural de fim de tarde num recanto, ao pé do fogão, à sombra de uma frondosa árvore. Sempre situada num espaço que remete e se funde à natureza, seu habitat natural.  Nas suas palavras tudo pode ser matéria de poesia, basta prestar atenção e afiar os sentidos.

A leitura de Memórias Inventadas tem a capacidade de maravilhar a todas as faixas etárias e até ao leitor mais pomposo, ávido pelo requinte dos versos alexandrinos nos poemas de forma fixa, que se inebria ao primeiro contato com os versos deste mestre da verdadeira de poetar. Um artista que transcreve em versos as suas memórias, ressignificando-se de forma poética.

Este é um livro-companhia, aquele para ser lido e relido em diversos momentos da sua rotina, quase um bálsamo.

 

Ficha técnica:

Obra: Memórias Inventadas / as Infâncias de Manoel de Barros

Autor: Manoel de Barros

Gênero: Poesia narrativa

Editora: Planeta

Ano: 2008

Nº de páginas: 160





domingo, 29 de março de 2020

CONTO PULBLICADO




A Revista Subtextos traz14 deliciosos contos para serem apreciados por leitores apaioxonados pelo gênero nesse tempo de quarentena. Dentre esses textos, está a publicação do meu conto, Sibipiruna. 
Desejo que leiam, não só o meu, todos. Apreciem!


 Escritor Brasileiro
📖Projeto para divulgar livros e autores nacionais contemporâneos
⬇️Subtextos - edição verão! Baixe agora
www.escritorbrasileiro.com.br



Sibipiruna
 Neuceli Maria da Silva Candido
         A tarde quente de janeiro era a prova de que os verões na região não mudaram, mesmo com as especulações de que o aquecimento global elevara as temperaturas no planeta, naquele lugar, o termômetro deveria marcar o mesmo grau centígrado desde o início dos tempos. Pelo menos era a sensação dos filhos quando se despediram da mãe, deixando-a na varanda da frente observando o horizonte, onde dali a pouco o sol se esconderia.  
         ─ Eu queria tanto que ela viesse com a gente. Não entendo porque tem que ficar aqui sozinha nesse lugar desolado. ─ Foi o que disse Alice, a filha caçula de três irmãos que desde que entrou para a faculdade foi morar com o irmão, João, a cunhada Silvia e os dois sobrinhos na capital do estado. Tinham ainda outro irmão, Henrique, mais velho, que há oito anos estava na Alemanha, lecionando em uma universidade. Desde que fora para lá, casara-se e não voltou mais. Comunicava-se com a família por Skype e, como a mãe não tinha internet e nem telefone, os irmãos eram os mensageiros entre os dois.
         ─ Você sabe o quanto já tentamos, Alice. Ela se recusa a deixar a casa e o sítio. No fundo, acredita que nosso pai possa voltar e que precisa estar aqui para recebê-lo.
         ─ Já faz 20 anos, João. Ele não vai voltar. Onde quer que tenha ido, foi para não voltar. A mãe precisa compreender, de uma vez por todas, que ele nos abandonou. Às vezes, eu a odeio por não querer mudar as coisas. Essa casa, essas lembranças, tudo precisa ser esquecido...Acredita que ainda diz “boa noite” a ele? Ouvi essa noite.
         ─ Parem com isso! ─ Silvia chamou a atenção dos dois meninos que começavam uma briga por algum motivo banal.
         ─ Deixe os garotos se entenderem sozinhos, Silvia... ─ João, sorrindo, sempre amenizava a situação.
         Na casa, a mãe sentou-se na cadeira da varanda e ficou observando o carro que sumia ao longe, deixando uma espessa nuvem de poeira por onde passava. O calor estava infernal e uma pequena brisa nas folhas da sibipiruna amenizava a temperatura. No chão um tapete de flores amarelas enfeitava a entrada da casa.
         Aquela árvore fazia parte da vida da família. Nascera do nada, como dizia dona Ana. Fora providência divina porque o lugar escolhido para nascer, fazia com que sua sombra cobrisse exatamente a frente da casa onde as crianças brincavam. E, volta e meia subiam em seus galhos aproveitando as aventuras da infância. Quem não gostava disso era seu Aníbal, o pai dos meninos. Era um homem rude, estava sempre longe de casa, chegava bêbado e brigando com a mulher e os filhos. As crianças quando o viam, saiam correndo e procuravam se esconder, ao máximo, da presença do pai. Porém, às vezes, entretinham-se nas brincadeiras e não percebiam a aproximação dele a não ser quando ouviam os gritos:
─ Cambada de preguiçoso! Vão procura o que fazê...ou arrebento o lombo do`cês. ─ Era um deus nos acuda e todos corriam para perto da mãe em busca de proteção, enquanto o pai continuava vociferando ─ Vou cortá essa maldita árvore e aí quero ver gente vagabundeando em cima dela.
Absorta nas lembranças, dona Ana não percebera a noite chegando. Era sua rotina, sentar-se na varanda, olhando o sol se por e, sentindo o frescor da brisa na sibipiruna, esperando o calor amenizar com a chegada da noite para, então, ir dormir. Os filhos, quando foram embora, um a um, insistiram para que ela vendesse o sítio e fosse para a cidade, viver com eles. Mas decidiu que não iria. Não poderia...ali estava sua vida. Ali plantara seus sonhos e enterrara seus sofrimentos. Vivia naquele rincão esquecido por Deus desde o dia do seu casamento. Desde o dia do início do seu sofrimento. Aníbal, o marido não lhe poupou um dia de desgosto. E, com a vinda dos filhos, as coisas só pioraram. E, então, ela, além de se proteger, temia pela prole.
Nesse entardecer, enquanto observava o horizonte e a sibipiruna, veio-lhe à mente uma estranha noite de verão, há exatamente vinte anos:
“O calor não dera refresco mesmo com a chegada da noite. As crianças tinham ido dormir, dona Ana deixou-lhes a janela aberta para que o frescor da noite pudesse entrar. Foi para seu quarto e a voz engasgada de seu Aníbal reclamava o tempo todo. A lua estava clara e iluminava parte da casa por onde seus raios conseguiam se esgueirar. A janela aberta emoldurava o seu clarão. Ao longe podia-se ouvir um trovão sinalizando que o tempo mudaria. Na madrugada, seu Aníbal se levantou e foi para o quintal. Ele sempre fazia isso nas noites em que o calor deixava a cama insuportável.
‘Dona Ana vira o marido se levantar, mas cansada como estava, entrou numa espécie de cochilo. Passado não mais que uma hora, acordou com o barulho da chuva e os respingos que entravam pela janela. Levantou-se para fechar a janela das crianças e quando saiu do quarto apurou os ouvidos e percebeu outro som. Achou estranho. Eram pancadas fortes. Foi até a sala e abriu a porta. Visualizou o marido, debaixo da chuva, com o machado em punho cortando a sibipiruna. Ficou perplexa com a cena. Por que tanta maldade?!
Quando o dia amanheceu, dona Ana estava na cozinha passando o café para que as crianças tomassem antes de ir para a escola. Após chamá-los e enquanto se arrumavam ouviram a mãe chamando pelo pai no quintal, para que viesse tomar o café antes de ir para a roça. Repetia isso todas as manhãs.
Os dois meninos maiores iam para a escola montados num cavalo alazão bem manso e a menorzinha, Alice, então com três anos, ficava em companhia da mãe. As crianças não viam o pai porque ele saía para a roça antes mesmo que terminassem de vestir a roupa e nesse dia não foi diferente.
Joáo, ao adentrar a cozinha, exclamou:
─ Que fogaréu! ─ referindo ao fogo aceso no fogão de lenha.─ O que está queimando?
─ Coisas que não prestam mais. ─ respondeu a mãe.
─ O cheiro é ruim. ─ completou o menino.
─ Cheiro de coisa velha e sem serventia.
 Ao saírem se depararam com os galhos da sibipiruna pelo chão. João voltou correndo chamando pela mãe e a encontrou à porta fazendo-lhe sinal que ficasse quieto e fosse para a escola. Com lágrimas nos olhos e choro entalado na garganta ele obedeceu. 
Na volta da escola perceberam, ao longe, que algo estava diferente. A casa cheia de gente e o carro da polícia ao pé do que sobrara da árvore. A mãe veio ao encontro deles, com os olhos vermelhos de choro dizendo-lhes que o pai desaparecera. Já haviam procurado por todos os cantos e até agora, nada de encontrar. Não encontraram nem rastros porque a chuva forte da noite os apagara. Não sabia o que acontecera, mas as roupas do pai também tinham sumido.
Foi um dia inteiro de buscas, mas quando o povo da cidade soube que as roupas também tinham sumido, chegaram à conclusão de que o homem partira por vontade própria e desistiram da procura. Durante uma semana, algumas pessoas ainda vieram visitar a família e ver como estavam, mas com o passar dos dias, as visitas foram rareando até se findarem por completo. Dona Ana, agora, era pai e mãe da família, tomou a frente na roça e na casa. Trabalhou muito, passou por necessidades, mas os filhos não. Fez o que pode. “Até vê-los crescer e cuidar de suas próprias vidas, sem precisar dela.”
Nesse momento, um sorriso de satisfação brotou dos lábios da velha senhora. A noite chegara de vez, levantou-se foi até a árvore que sobrevivera aos maus tratos sofridos naquela noite e se erguera muito mais frondosa que antes, apanhou algumas flores do galho mais baixo e foi para dentro. Fechou a porta, encaminhou-se para o quarto e pela janela aberta viu a lua esplendorosa. Ouviu um trovão fundo e pensou: “Lá vem chuva, e das fortes.”
Sentou-se na cama com a flor ao lado.
─ Boa noite, Aníbal. Está com muito calor?
Levantou-se, foi até a gaveta da cômoda e pegou um martelo em meio às roupas, afastou a cama, abaixou-se, acariciou uma das tábuas do assoalho em que o prego parecia meio solto. Com o auxílio do martelo desprendeu dois pregos e levantou a tábua. Debaixo, num buraco, um saco amarrado pela boca. Retirou o saco e o abriu. Dentro, cinzas. Bastantes cinzas. Mergulhou as mãos no material e sorriu:
─ Com calor, Aníbal? Nossa árvore enviou flores para comemorar seu aniversário de morte.
Colocou o cacho de flores amarelas dentro do saco, fechou-o e o guardou novamente. Voltou a tábua ao lugar, bateu o prego com o martelo e foi dormir.
Lá fora, a chuva mansa batia no telhado em ritmo tranquilo e caía forte no chão, de onde exalava um gostoso cheiro de terra molhada, contribuindo para um sono tranquilo daquela velha e cansada senhora.







quinta-feira, 2 de maio de 2019

Machado de Assis de verdade


A verdadeira imagem de um gênio. Do nosso gênio. Há os que lutam pela transparência e pela extirpação do racismo em nossa sociedade.




Machado de Assis Real: como uma campanha recriou foto clássica do grande escritor

A equipe criou a foto da direita, respeitando o tom de pele e os fenótipos negros do autor de, entre outros, “Dom Casmurro” (1899).


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O POEMA NOSSO DE CADA DIA

A poesia na letra dessa música estremece a alma. Impossível não sentir cada palavra:

TODO HOMEM (Zeca Veloso) O sol Manhã de flor e sal E areia no batom Farol Saudades no varal Vermelho, azul, marrom Eu sou Cordão umbilical Pra mim nunca tá bom E o sol Queimando o meu jornal Minha voz, minha luz, meu som Todo homem precisa de uma mãe Todo homem precisa de uma mãe O céu Espuma de maça Barriga, dois irmãos O meu Cabelo, negra lã Nariz e rosto e mãos O mel A prata, o ouro e a rã Cabeça e coração E o céu Se abre de manhã Em abrigo, em colo, em chão Todo homem precisa de uma mãe Todo homem precisa de uma mãe

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O POEMA NOSSO DE CADA DIA


A verdade dividida



A porta da verdade estava aberta


mas só deixava passar

meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,

porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.

Chegaram ao lugar luminoso 
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.

Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummond de Andrade)



Conversa entre leitores



O ato de presentear amigos com um poema nasceu assim, sem mais nem menos entre nós, amigos de pouco tempo, mas com duração de uma vida inteira. Este poema de Drummond veio assim, como presente e eu, que conhecia e venerava Drummond, não conhecia o poema. Foi amor à primeira leitura.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

LIVROS DE FICÇÃO QUE BEM PODERIAM SER A REALIDADE ATUAL


"A guerra é travada, pelos grupos dominantes, contra seus próprios súditos, e o seu objetivo não é conquistar territórios nem impedir que outros o façam, porém manter intacta a estrutura da sociedade."


A obra 1984 nunca esteve tão atual quanto o momento em que vivemos. A cada página da história, uma revelação da realidade mundial comprovando o talento de George Orwell como visionário. 1984 é o 2018 que estamos vivenciando. E, sobre esta obra de tamanha grandeza, vale a pena conhecer os detalhes. Lembrando que em 2017 voltou com força às estantes dos mais lidos. Aos curiosos leitores, basta descobrir o motivo.
Tenham todos uma excelente leitura!

Conhecendo a obra de Orwellhttps://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/saiba-mais-sobre-o-livro-1984-de-george-orwell/#

quinta-feira, 17 de março de 2016

O Cortiço (Aluísio Azevedo) - Compreensão da obra








                    A obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, publicado em 1890 faz uma crítica social e uma crítica ao capitalismo selvagem, o retrato de uma época. O autor, influenciado pelas correntes filóficas do positivismo( a ciênca prova tudo), darwinismo (evolução da espécies) e determinismo (o meio determina o homem), torna-se figura importante na escola literária do naturalismo (realismo radical) no Brasil.
                Esse livro que tem sido, tantas vezes, ojerizado pelos alunos, faz parte da lista de leituras obrigatórias dos principais vestibulares do país. Numa observação mais minuciosa do porquê ser um livro que os jovens estudantes desenvolvem antipatia, percebe-se que a ausência de romantismo na obra, a realidade apresentada de forma nua e crua, acaba chocando o jovem ainda não crítico. O trabalho da escola e, principalmente, do professor de literatura é apresentar o contexto histórico-social da época para que o aluno compreenda a obra literária como um retrato de um tempo e, porque não, um documento histórico de grande valor para a compreensão da realidade atual. Afinal, qual a diferença entre a desigualdade social do século XIX e do século XXI? 
               Trata-se, pois, de uma obra de riquíssimo conteúdo para ser lida, analisada e discutida no ambiente escolar. Uma excelente contribuição para o despertar da criticidade em nossos jovens, habilidade imprescidível nos dias atuais.
               Boa leitura! Grandes aprendizados!

Neuceli




G1 - Professora faz análise da obra 'O Cortiço'ThiagoXPTO 



Resumo
O livro narra inicialmente a saga de João Romão rumo ao enriquecimento. Para acumular capital, ele explora os empregados e se utiliza até do furto para conseguir atingir seus objetivos. João Romão é o dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Sua amante, Bertoleza, o ajuda de domingo a domingo, trabalhando sem descanso.

Em oposição a João Romão, surge a figura de Miranda, o comerciante bem estabelecido que cria uma disputa acirrada com o taverneiro por uma braça de terra que deseja comprar para aumentar seu quintal. Não havendo consenso, há o rompimento provisório de relações entre os dois.

Com inveja de Miranda, que possui condição social mais elevada, João Romão trabalha ardorosamente e passa por privações para enriquecer mais que seu oponente. Um fato, no entanto, muda a perspectiva do dono do cortiço. Quando Miranda recebe o título de barão, João Romão entende que não basta ganhar dinheiro, é necessário também ostentar uma posição social reconhecida, freqüentar ambientes requintados, adquirir roupas finas, ir ao teatro, ler romances, ou seja, participar ativamente da vida burguesa.

No cortiço, paralelamente, estão os moradores de menor ambição financeira. Destacam-se Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade. Um exemplo de como o romance procura demonstrar a má influência do meio sobre o homem é o caso do português Jerônimo, que tem uma vida exemplar até cair nas graças da mulata Rita Baiana. Opera-se uma transformação no português trabalhador, que muda todos os seus hábitos.

A relação entre Miranda e João Romão melhora quando o comerciante recebe o título de barão e passa a ter superioridade garantida sobre o oponente. Para imitar as conquistas do rival, João Romão promove várias mudanças na estalagem, que agora ostenta ares aristocráticos. 

O cortiço todo também muda, perdendo o caráter desorganizado e miserável para se transformar na Vila João Romão.

O dono do cortiço aproxima-se da família de Miranda e pede a mão da filha do comerciante em casamento. Há, no entanto, o empecilho representado por Bertoleza, que, percebendo as manobras de Romão para se livrar dela, exige usufruir os bens acumulados a seu lado. 

Para se ver livre da amante, que atrapalha seus planos de ascensão social, Romão a denuncia a seus donos como escrava fugida. Em um gesto de desespero, prestes a ser capturada, Bertoleza comete o suicídio, deixando o caminho livre para o casamento de Romão.

Lista de personagens
Os personagens da obra são psicologicamente superficiais, ou seja, há a primazia de tipos sociais. Os principais são: 

João Romão: taverneiro português, dono da pedreira e do cortiço. Representa o capitalista explorador. 

Bertoleza: quitandeira, escrava cafuza que mora com João Romão, para quem ela trabalha como uma máquina. 

Miranda:
 comerciante português. Principal opositor de João Romão. Mora num sobrado aburguesado, ao lado do cortiço. 

Jerônimo: português “cavouqueiro”, trabalhador da pedreira de João Romão, representa a disciplina do trabalho. 

Rita Baiana:
 mulata sensual e provocante que promove os pagodes no cortiço. Representa a mulher brasileira. 

Piedade:
 portuguesa que é casada com Jerônimo. Representa a mulher europeia. 

Capoeira Firmo: mulato e companheiro que se envolve com Rita Baiana. 

Arraia-Miúda: 
representada por lavadeiras, caixeiros, trabalhadores da pedreira e pelo policial Alexandre.

Sobre Aluísio de Azevedo
Aluísio de Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, em 14 de abril de 1857. Após concluir seus estudos na terra natal, transfere-se em 1876 para o Rio de Janeiro, onde prossegue seus estudos na Academia Imperial de Belas-Artes. Começa, então, a trabalhar como caricaturista para jornais. 

Com o falecimento do pai em 1879, Aluísio de Azevedo retorna ao Maranhão para ajudar a sustentar a família, época em que dá início à carreira literária movido por dificuldades financeiras. Assim, publica em 1880 seu primeiro livro, Uma lágrima de mulher. Com a questão abolicionista ganhando cada vez mais espaço no final do século XIX, publica em 1881 o romance "O mulato", obra que inaugurou o Naturalismo no Brasil e que escandalizou a sociedade pelo modo cru com que trata a questão racial. Devido ao sucesso que a obra obteve na corte, Aluízio volta à capital imperial e passa a exercer o ofício de escritor, publicando diversos romances, contos e peças de teatro.

Em 1910 instala-se em Buenos Aires trabalhando como cônsul e vem a falecer três anos depois nessa mesma cidade em 21 de janeiro de 1913. 

Suas principais obras são: "O mulato" (1881), "Casa de pensão" (1884) e "O cortiço" (1890).
http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/cortico-resumo-obra-aluisio-azevedo-700291.shtml

Exercicíos sobre o livro O Cortiço – Aluísio Azevedo

QUESTÕES — ESCRITO POR ANA RIBEIRO 

O romance “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, é figurinha fácil nas provas de vários vestibulares. Essa obra está com frequência entre os livros obrigatórios de concursos de todo o País.
Resolva a seguir os exercícios que preparamos sobre O Cortiço .
Bons estudos!

1. (ITA) Leia as proposições acerca de O Cortiço.
I. Constantemente, as personagens sofrem zoomorfização, isto é, a animalização do comportamento humano, respeitando os preceitos da literatura naturalista.
II. A visão patológica do comportamento sexual é trabalhada por meio do rebaixamento das relações, do adultério, do lesbianismo, da prostituição etc.
III. O meio adquire enorme importância no enredo, uma vez que determina o comportamento de todas as personagens, anulando o livre-arbítrio.
IV. O estilo de Aluísio Azevedo, dentro de O Cortiço, confirma o que se percebe também no conjunto de sua obra: o talento para retratar agrupamentos humanos.
Está(ão) correta(s)
a)     todas.
b) apenas I.
c) apenas I e II.
d) apenas I, II e III.
e) apenas III e IV.

2. (UFV-MG) Leia o texto abaixo, retirado de O Cortiço, e faça o que se pede:
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.
[…].
O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 15. ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-29.
Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do fragmento citado:
a)     No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que, aos poucos, acorda como uma colméia humana.
b) O texto apresenta um dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais, olfativos e auditivos.
c) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nos personagens de O Cortiço o aspecto animalesco, “rasteiro” do ser humano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir.
d) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico.
e) Observa-se, no discurso de Aluísio Azevedo, pela constante utilização de metáforas e sinestesias, uma preocupação em apresentar elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista.

3. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo (1857-1913):
O cortiço
Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro, numa balbúrdia de doidos. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.
Os sinos da vizinhança começaram a badalar.
E tudo era um clamor.
A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa. Estava horrível; nunca fora tão bruxa. O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E ela ria-se, ébria de satisfação, sem sentir as queimaduras e as feridas, vitoriosa no meio daquela orgia de fogo, com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca.
Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada, que abateu rapidamente, sepultando a louca num montão de brasas. (Aluísio Azevedo. O cortiço)
Em O cortiço, o caráter naturalista da obra faz com que o narrador se posicione em terceira pessoa, onisciente e onipresente, preocupado em oferecer uma visão crítico-analítica dos fatos. A sugestão de que o narrador é testemunha pessoal e muito próxima dos acontecimentos narrados aparece de modo mais direto e explícito em:
a)     Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo.
b) Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.
c) Da casa do Barão saíam clamores apopléticos…
d) A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa.
e) Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada…

4. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo (1857-1913):
O cortiço
Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro, numa balbúrdia de doidos. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.
Os sinos da vizinhança começaram a badalar.
E tudo era um clamor.
A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa. Estava horrível; nunca fora tão bruxa. O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E ela ria-se, ébria de satisfação, sem sentir as queimaduras e as feridas, vitoriosa no meio daquela orgia de fogo, com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca.
Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada, que abateu rapidamente, sepultando a louca num montão de brasas. (Aluísio Azevedo. O cortiço)
O caráter naturalista nessa obra de Aluísio Azevedo oferece, de maneira figurada, um retrato de nosso país, no final do século XIX. Põe em evidência a competição dos mais fortes, entre si, e estes, esmagando as camadas de baixo, compostas de brancos pobres, mestiços e escravos africanos. No ambiente de degradação de um cortiço, o autor expõe um quadro tenso de misérias materiais e humanas. No fragmento, há várias outras características do Naturalismo. Aponte a alternativa em que as duas características apresentadas são corretas:
a)     Exploração do comportamento anormal e dos instintos baixos; enfoque da vida e dos fatos sociais contemporâneos ao escritor.
b) Visão subjetivista dada pelo foco narrativo; tensão conflitiva entre o ser humano e o meio ambiente.
c) Preferência pelos temas do passado, propiciando uma visão objetiva dos fatos; crítica aos valores burgueses e predileção pelos mais pobres.
d) A onisciência do narrador imprime-lhe o papel de criador, e se confunde com a idéia de Deus; utilização de preciosismos vocabulares, para enfatizar o distanciamento entre a enunciação e os fatos enunciados.
e) Exploração de um tema em que o ser humano é aviltado pelo mais forte; predominância de elementos anticientíficos, para ajustar a narração ao ambiente degradante dos personagens.

5. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo (1857-1913):
O cortiço
Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro, numa balbúrdia de doidos. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.
Os sinos da vizinhança começaram a badalar.
E tudo era um clamor.
A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa. Estava horrível; nunca fora tão bruxa. O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E ela ria-se, ébria de satisfação, sem sentir as queimaduras e as feridas, vitoriosa no meio daquela orgia de fogo, com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca.
Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada, que abateu rapidamente, sepultando a louca num montão de brasas. (Aluísio Azevedo. O cortiço)
Releia o fragmento de O cortiço, com especial atenção aos dois trechos a seguir:
Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero.
(…)
E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.
No fragmento, rico em efeitos descritivos e soluções literárias que configuram imagens plásticas no espírito do leitor, Aluísio Azevedo apresenta características psicológicas de comportamento comunitário. Aponte a alternativa que explicita o que os dois trechos têm em comum:
a)     Preocupação de um em relação à tragédia do outro, no primeiro trecho, e preocupação de poucos em relação à tragédia comum, no segundo trecho.
b) Desprezo de uns pelos outros, no primeiro trecho, e desprezo de todos por si próprios, no segundo trecho.
c) Angústia de um não poder ajudar o outro, no primeiro trecho, e angústia de não se conhecer o outro, por quem se é ajudado, no segundo trecho.
d) Desespero que se expressa por murmúrios, no primeiro trecho, e desespero que se expressa por apatia, no segundo trecho.
e) Anonimato da confusão e do “salve-se quem puder”, no primeiro trecho, e anonimato da cooperação e do “todos por todos”, no segundo trecho.

6. (ESPM) Dos segmentos abaixo, extraídos de O Cortiço, de Aluísio Azevedo, marque o que não traduza exemplo de zoomorfismo:
a) Zulmira tinha então doze para treze anos e era o tipo acabado de fluminense; pálida, magrinha, com pequeninas manchas roxas nas mucosas do nariz, das pálpebras e dos lábios, faces levemente pintalgadas de sardas.
b) Leandra…a Machona, portuguesa feroz, berradora, pulsos cabeludos e grossos, anca de animal do campo.
c) Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas.
d) E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa começou a minhocar,… e multiplicar-se como larvas no esterco.
e) Firmo, o atual amante de Rita Baiana, era um mulato pachola, delgado de corpo e ágil como um cabrito…

7. (UEL) A questão refere-se aos trechos a seguir.
“Justamente por essa ocasião vendeu-se também um sobrado que ficava à direita da venda, separado desta apenas por aquelas vinte braças; e de sorte que todo o flanco esquerdo do prédio, coisa de uns vinte e tantos metros, despejava para o terreno do vendeiro as suas nove janelas de peitoril. Comprou-o um tal Miranda, negociante português, estabelecido na rua do Hospício com uma loja de fazendas por atacado.”
“E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida, aterrado diante daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas raízes piores e mais grossas do que serpentes miravam por toda parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela, rachando o solo e abalando tudo.”
(AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 26. ed. São Paulo: Martins, 1974. p. 23; 33.)
Com base nos fragmentos citados e nos conhecimentos sobre o romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo, considere as afirmações a seguir:
I. A descrição do cortiço, feita através de uma linguagem metafórica, indica que, no romance, esse espaço coletivo adquire vida orgânica, revelando-se um “ser” cuja força de crescimento assemelha-se ao poderio de raízes em desenvolvimento constante que ameaçam tudo abalar.
II. A inquietação de Miranda quanto ao crescimento do cortiço deve-se ao fato de que sua casa, o sobrado, ainda que fosse uma construção imponente, não possuía uma estrutura capaz de suportar o crescimento desenfreado do vizinho, que ameaçava derrubar sua habitação.
III. Não obstante a oposição entre o sobrado e o cortiço em termos de aparência física dos ambientes, os moradores de um e outro espaço não se distinguem totalmente, haja vista que seus comportamentos se assemelham em vários aspectos, como, por exemplo, os de João Romão e Miranda.
IV. Os dois ambientes descritos marcam uma oposição entre o coletivo (o cortiço) e o individual (o sobrado) e, por extensão, remetem também à estratificação presente no contexto do Rio de Janeiro do final do século XIX.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a)     I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

8. (UFLA) Relacione os trechos da obra O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, às características realistas/naturalistas seguintes que predominam nesses trechos e, a seguir, marque a alternativa CORRETA:
1. Detalhismo.
2. Crítica ao capitalismo selvagem.
3. Força do sexo.
( ) “(…) possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo travesseiro de um saco de estepe cheio de palha.”
( ) “(…) era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas de fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras.”
( ) “E seu tipo baixote, socado, de cabelos à escovinha, a barba sempre por fazer (…) Era um pobre diabo caminhando para os setenta anos, antipático, muito macilento.”
a)     2, 1, 3
b) 1, 3, 2
c) 3, 2, 1
d) 2, 3, 1
e) 1, 2, 3

9. (UNIFESP / SP) Em O cortiço, o caráter naturalista da obra faz com que o narrador se posicione em terceira pessoa, onisciente e onipresente, preocupado em oferecer uma visão crítico- analística dos fatos. A sugestão de que o narrador é testemunha pessoal e muito próxima dos acontecimentos narrados aparece de modo mais direto e explícito em:
a) Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo.
b) Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes que se despejavam sobre as chamas.
c) Da casa do Barão saíam clamores apopléticos…
d) A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa.
e) Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada…

10. (UEL) Texto 1
De cada casulo espipavam homens armados de pau, achas de lenha, varais de ferro. Um empenho coletivo os agitava agora, a todos, numa solidariedade briosa, como se ficassem desonrados para sempre se a polícia entrasse ali pela primeira vez. Enquanto se tratava de uma simples luta entre dois rivais, estava direito! ‘Jogassem lá as cristas, que o mais homem ficaria com a mulher!’ mas agora tratava-se de defender a estalagem, a comuna, onde cada um tinha a zelar por alguém ou alguma coisa querida.
(AZEVEDO, Aluísio, O cortiço. 26. ed. São Paulo: Martins, 1974. p. 139.)
Texto 2
O cortiço é um romance de muitas personagens. A intenção evidente é a de mostrar que todas, com suas particularidades, fazem parte de uma grande coletividade, de um grande corpo social que se corrói e se constrói simultaneamente.
(FERREIRA, Luiz Antônio. Roteiro de leitura: O cortiço de Aluísio Azevedo. São Paulo: Ática, 1997. p. 42.)
Sobre os textos, assinale a alternativa correta.

a) No Texto 1, por ser ele uma construção literária realista, há o predomínio da linguagem referencial, direta e objetiva; no Texto 2, por ser ele um estudo analítico do romance, há o predomínio da linguagem estética, permeada de subentendidos.
b) A afirmação contida no Texto 2 explicita o modo coletivo de agir do cortiço, algo que também se observa no Texto 1, o que justifica o prevalecimento de um termo coletivo como título do romance.
c) Tanto no Texto 1 quanto no Texto 2 há uma visão exacerbada e idealizada do cortiço, sendo este considerado um lugar de harmonia e justiça.
d) No Texto 1 prevalece a desagregação e corrosão da grande coletividade a que se refere o Texto 2.
e) O que se afirma no Texto 2 vai contra a idéia contida no Texto 1, visto que no cortiço jamais existe união entre os seus moradores.